20091209

ao serviço total da ideia

uma nova investigação sobre os anos finais de Trotsky (Stalin´s Nemesis: the exile and murder of Leon Trotsky, de Bertrand M. Patenaude), provoca algumas novas reflexões sobre o poder totalitário da ideia. Trotsky não arruinou só a sua vida a partir do momento em que dentro do Kremlin perdeu para Estaline a batalha pelo poder. Na verdade, o carismático líder comunista iniciou ali uma vida de exílio e de fuga que só terminou com o seu assassinato, no México. Mas o que talvez seja mais impressionante é que a decisão de combater pela ideia e pelo poder na União Soviética destruiu também todos os próximos de Trotsky. Com ele para o exílio seguiram a mulher, a única sobrevivente após a sua morte, o filho mais velho e, mais tarde, um neto. A sua primeira mulher e as duas filhas desse casamento foram perseguidas por Estaline, juntamente com os respectivos maridos e filhos. Todos foram assassinados, com excepção de Zina, a filha mais velha, que se suicidou em Berlim. Os dois filhos do segundo casamento foram assassinados. E dos netos, só um, Seva, sobreviveu. Os amigos políticos mais próximos foram também julgados, exilados e mortos. Para Estaline, apagar Trotsky significou apagar todo o seu sangue e todas as suas conexões. Assim, servir uma ideia para o mundo com a vida tornou - se uma realidade, escolhida ou forçada, para Trotsky e os seus.  

Sem comentários:

Publicar um comentário