20091027

o MI 5 dita o caminho

Está já nas bancas globais e virtuais a história dos 100 anos do MI5, o serviço de informações internas do Reino Unido. O projecto foi executado nos últimos anos pelo historiador de Cambridge Christopher Andrew (que entrevistei em 1995, sem grandes emoções para relatar, a não ser ter de correr atrás da sua bicicleta, de gravador no ar, para as perguntas finais), com a total colaboração do MI 5, isto é a abertura total dos arquivos, com a excepção da reserva de fontes ainda fundamentais ou de operações não concluídas. Andrew, que trabalhou de modo totalmente independente, cobre toda a actividade do MI 5 até aos nossos dias, incluindo os temas mais sensíveis: toupeiras soviéticas nos serviços britânicos, o conflito na Irlanda do Norte, o contra - terrorismo contra a acção jihadista. O projecto, que assinala os 100 anos do MI 5, partiu do próprio director do serviço em 2000, Stephen Lander. O MI 5 é o primeiro serviço de "intelligence" ocidental a abrir os seus arquivos da actividade contemporânea, e invoca duas razões principais para o fazer. A primeira é a de corresponder, na medida do possível, ao princípio da transparência democrática. A segunda é a de a partir dessa transparência ganhar o apoio dos cidadãos, sem o qual, confessam os responsáveis do serviço, não será possível ter uma acção eficaz contra o terrorismo e o crime organizado. A operação transparência lançada pelo MI 5 deveria fazer pensar um pouco os responsáveis pelo edifício de segurança português, esse alvo da desconfiança, desprezo e ódio dos cidadãos.

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