<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848</id><updated>2011-12-13T05:52:52.134-08:00</updated><category term='arte'/><category term='quotidiano'/><category term='segurança'/><category term='INVESTIGAÇÃO'/><category term='Literatura'/><title type='text'>sniper</title><subtitle type='html'>uma tentativa de investigar algumas realidades contemporâneas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>38</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-8160244757808972520</id><published>2011-12-13T05:52:00.000-08:00</published><updated>2011-12-13T05:52:52.141-08:00</updated><title type='text'>As outras histórias</title><content type='html'>Todos os dias trabalho com texto. Ficção, não-ficção, próprio, de outros, estruturando, criando, editando, por iniciativa própria ou por contrato. E, no entanto, parece-me sempre que nunca consigo criar o texto que está sempre comigo, que me perturba. Parece-me também que existem duas barreiras que contribuem para o referido efeito. A primeira é a de que não consigo encontrar as palavras que traduzam o que me acossa. A segunda, sendo eu um burocrata, é que não consigo desenhar o formato adequado. Um dos textos que me persegue desde sempre, e que se desdobra em múltiplos textos, tem a ver com as outras histórias. Acho que o projecto nasceu com as cidades invisíveis de calvino, lido há mais de duas décadas.&amp;nbsp;Em essência, tem a ver com reportar e reproduzir&amp;nbsp;em texto os imaginários riquissimos a que normalmente não temos acesso. Por exemplo, como será hoje viver&amp;nbsp;em Detroit. Mas também como persistir na manufactura de ferramentas. Ou, ao lado, como será o mundo dos que já pertencem aos nós digitais. Por outras palavras, convocar todos os mundos que escapam um pouco ao interior das nossas fronteiras limitadas. Pensava nisto, mais uma vez,&amp;nbsp;hoje de manhã. E eis que a minha amiga Cândida alerta para um maravilhoso texto de Henning Mankel, "In africa, the art of listening", publicado no New York Times. O texto fala da experiência de viver aquilo que eu idealizo.&amp;nbsp;É uma espantosa coincidência. Tenho de lhe prestar atenção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-8160244757808972520?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/8160244757808972520/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/12/as-outras-historias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8160244757808972520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8160244757808972520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/12/as-outras-historias.html' title='As outras histórias'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-3292950135001064603</id><published>2011-11-23T05:35:00.000-08:00</published><updated>2011-11-23T05:35:31.539-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><title type='text'>uma solidão com lâminas</title><content type='html'>Há interesses maiores naturalmente secretos. Por outras palavras, a natureza dos interesses choca com a cultura assente, e quando assim é, a via prudente é a amputação da partilha. Dos meus, o mais sufocado é a paixão por lâminas. Como todos os interesses pessoais maiores, não há propriamente uma identificação clara da origem. Mas entre infâncias no mato, histórias de guerreiros e noites de escuteiros, alguma marca terá sido fixada com profundidade. O percurso da paixão começou pelas más lâminas existentes em portugal, nesses tempos afastados dos anos 80 do século passado. Canivetes de cabo de plástico vermelho, e facas de mato de série. A sedução foi-se mantendo pelo tempo, o que levou a expedições periódicas frustrantes às antigas tabacarias de Lisboa e arredores. Mas, na verdade, o desejo só encontrou objecto à altura quando chegaram os primeiros Leatherman, comprados na primeira versão da Econauta, ou trazidos de paragens europeias, quando nos aviões era permitido transportá-los nos bolsos das calças. Um bom tempo. Os primeiros Leatherman fascinavam pela complexidade do engenho, e pela beleza estética do objecto. No meu caso, são estas as características que fixam e perduram a paixão. Antes do mais, a capacidade do artesão, o seu labor e genialidade. Depois, a beleza material da lâmina. Certamente que o conforto da segurança de ter uma arma, e aquela confusão de sentimentos sempre classificada como "rapazes serão sempre rapazes", terão também o seu peso de influência. Enfim,embora desconfie&amp;nbsp;que estas&amp;nbsp;são propostas teóricas algo limitadas, já que a minha avó aos 80 anos andava sempre com uma lãmina no bolso. A partir da idade adulta, o cenário não sofreu grandes modificações. A Leatherman foi evoluíndo de modo fantástico, e complexizando os seus modelos, graças ao design e fabrico com ferramentas informatizadas. Há até alguns momentos traumatizantes, como a confiscação, em Heathrow, do modelo Wave, na altura o topo da Leatherman, comprado em Darwin, em 1999, para comemorar a evacuação de Timor. No entanto, esta relação&amp;nbsp;de intimidade com a Leatherman teve sempre um ponto fraco. As lâminas são perfeitas, atraentes, eficazes, mas têm aquela impressão do produto americano, aquela exactidão de série de linha de montagem da Ford&amp;nbsp;que as torna demasiado mecânicas.&amp;nbsp;Mas, realmente, os dois&amp;nbsp;problemas, nestas últimas décadas, foram a incapacidade de aplicar e comunicar a paixão. Em relação ao primeiro, não é realmente muito conveniente andar por aí nas ruas a espetar bandidos, apesar de alguns o merecerem. A salvação, neste território prático, foi o pequeno quintal alentejano, cujas escassas árvores e plantas bravas sofrem regularmente verdadeiras chacinas, especialmente nestes últimos anos, graças ao entusiasmo do p.selvagem. A comunicação é um problema ainda maior. Janelas de oportunidade como o "Kill Bill" têm sido exploradas em jantares e outros encontros, mas ao fim de dez minutos de&amp;nbsp;elaboração teórica sobre a estética e história da lâmina, os comentários são invariavelmente os de que "não sabia que tinhas essa parte de cromo". Enfim, uma terrível solidão temática e estética. Como em outros campos&amp;nbsp;decisivos, o que me salvou foi o "Financial&amp;nbsp;Times". Antes do mais, através da tradução e da descoberta. Nas páginas do glorioso londrino tem sido possível aceder&amp;nbsp;à milenar e distinta arte da "katana", que os japoneses continuam a venerar. Mas o papel de salmão tem conseguido dar-me ainda mais felicidade, através da descoberta de culturas de nicho superiores.&amp;nbsp;Entre elas, as de algumas aldeias suecas, que continuam a criar à mão, como verdadeiros artesãos, machados e facas milenares. São objectos absolutamente extraordinários, tanto no cuidado estético, como na maximização da funcionalidade.&amp;nbsp;Nestas aldeias é mesmo possível frequentar alguns cursos de iniciação. Um bom projecto para o Verão. Outra linha de descoberta, porventura mais importante, é a de que os apaixonados pelas lâminas não o escondem. Assim, através do FT, vou descobrindo que pessoas&amp;nbsp;com&amp;nbsp;a dose regular de lucidez&amp;nbsp;como eu gostam de procurar e olhar para lâminas, e algumas delas, quando possível, compram recantos de floresta ou mato&amp;nbsp;para colocar a uso os seus objectos.&amp;nbsp;Assim,&amp;nbsp;é&amp;nbsp;possível entender que afinal a minha solidão com lâminas&amp;nbsp;tem apenas a ver com a incorporação na cultura e na geografia erradas. O que, certamente, tem solução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-3292950135001064603?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/3292950135001064603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/11/uma-solidao-com-laminas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3292950135001064603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3292950135001064603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/11/uma-solidao-com-laminas.html' title='uma solidão com lâminas'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-3767219020946148115</id><published>2011-02-14T11:36:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T11:36:29.485-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVESTIGAÇÃO'/><title type='text'>os velhinhos abandonados</title><content type='html'>A recente descoberta por parte dos media dos velhinhos abandonados é comovente. Obviamente, o buzz mediático - despertado pela descoberta da idosa esquecida durante dez anos - irá desaparecer no momento em que aos casos descobertos nos últimos dias, que os media apresentam como confrangedores, se juntem outras dezenas e centenas de casos semelhantes. Porque a verdade é que devem existir milhares, e só por ignorância ou hipocrisia é que podemos dizer que não sabíamos. O problema é ocidental e urbano, e tem especial relevo em países como o nosso, devido a motivos particulares como as migrações contínuas para os grandes centros suburbanos, o preço absurdo das casas, e o facto de estas terem áreas pequenas. A verdade é que o abandono dos idosos e as crianças é o preço que todos temos de pagar pelo mundo que escolhemos. Fale - se um bocadinho mais com qualquer psicóloga de um colégio particular ou público, e esta confessará que a taxa de crianças sem acompanhamento paternal efectivo é assustadora. O mesmo acontece, claro, com os idosos. Já ninguém tem tempo para eles, quando se multiplicam as necessidades pessoais e profissionais. Aliás, se quisermos levar a questão um pouco mais a sério, o que está a acontecer é a dissolução total da família. E, se tudo correr como o previsto, a geração que daqui a 25 anos chegará a avô, ou seja a minha, ainda sofrerá mais este problema. Na verdade, não podemos estar a educar os nossos filhos para operarem no mundo global, o que é o mais correcto que temos a fazer, e esperar que estes nos levem ao hospital às três da manhã de uma quarta - feira. Deste modo, é de uma tremenda hipocrisia da parte dos media insistirem numa história de fazer chorar as pedras da calçada. É apenas o preço a pagar, e o único modo de evitar esta cobrança das circunstâncias é tentar criar, pessoalmente, e muito antes, mecanismos para que quando esta se manifeste, não o faça de modo muito violento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-3767219020946148115?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/3767219020946148115/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/02/os-velhinhos-abandonados.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3767219020946148115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3767219020946148115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/02/os-velhinhos-abandonados.html' title='os velhinhos abandonados'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-4677983079958807050</id><published>2011-02-12T11:05:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T11:05:29.614-08:00</updated><title type='text'>Retorno ao dicionário</title><content type='html'>A vontade é intuitiva, mas imperial. A vontade de criar um pequeno intervalo no tempo e no espaço, e voltar ao território pessoal. Nada melhor para tal do que vasculhar papéis abandonados, procurando para eles uma ordem a que não se submetem. E, depois, ler papéis esquecidos, bem acomodados pela música de Szymanowski, na versão conduzida por Boulez e tocada pela Filarmónica de Viena. E é então que, sem nenhuma razão racional, o dicionário se intromete. O prazer de ler um dicionário com uma ordem que não lhe é natural, da primeira entrada do A em diante. Ainda funciona muito bem, especialmente se estamos a falar da terceira edição do "Dictionary of Literary Terms &amp;amp; Literary Theory", do notável J.A. Cuddon. O autor leva - me &amp;nbsp;especialmente a dois lados. No primeiro, a confirmação de que continuo a saber pouco daquilo que penso que domino. Basta ler as entradas "novel" ou "character" para o confirmar. O segundo caminho é ainda mais interessante. São as descobertas. "Mycterism", "asteismus" ou "calypso" são apenas algumas das milhares de fabulosas lições contidas de Cuddon. Os retornos são importantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-4677983079958807050?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/4677983079958807050/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/02/retorno-ao-dicionario.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/4677983079958807050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/4677983079958807050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/02/retorno-ao-dicionario.html' title='Retorno ao dicionário'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-1722366032618096544</id><published>2011-01-10T06:16:00.000-08:00</published><updated>2011-01-10T06:16:24.865-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVESTIGAÇÃO'/><title type='text'>A SITUAÇÃO INTOLERÁVEL</title><content type='html'>&amp;nbsp;A conjuntura política e económica nacional é intolerável. Duas forças decisivas adoptaram estratégias insustentáveis e estão dispostas a ir até ao fim na defesa dos seus interesses. A primeira força é a dos funcionários públicos, e a sua estratégia é a de recusar participar na austeridade. A segunda força é a do Governo, e a sua estratégia é a de não querer reformar o Estado. Deste nó górdio, apenas pode resultar o caos.&lt;br /&gt;A primeira força revela ter adoptado de modo delirante a fuga para a frente. As revelações, públicas o que ainda é mais fantástico, de corpos públicos de elite, como os juízes e os polícias, de que recusam acatar as medidas de austeridade, são inaceitáveis. A estes corpos de elite, sucederam -se os sindicatos, os directores de escolas e todos os outros, que através do litígio judicial querem impedir a aplicação da austeridade. Quanto a mim, é uma posição extraordinária. Na verdade, não há fuga possível. As contas públicas, o Estado, estão falidos, o que é reforçado por agentes económicos privados débeis, incapazes de inverter a nossa tendência económica depressiva. A única posição possível é a de aceitar o sofrimento e o sacrifício. Para a minha geração, a que tem agora 40 anos, não há outro caminho. Como sabemos desde 1990, esperam -nos pelo menos duas décadas de vida numa economia pobre, com tudo o que isso implica. Mas aceitar a realidade não deve ser uma validação para a adopção de estratégias absurdas. Cabe - nos aceitar o sacrifício com lucidez e dignidade, e tentar fazer o melhor para que os nosso filhos tenham acesso a um país melhor. A segunda força decisiva, o Governo, que tem o poder de decisão administrativo no Estado, mantém uma estratégia de enterrar a cabeça na areia, por calculismo e cobardia política. Na verdade, não é possível pedir sacrifícios, como o aumento dos impostos e a redução do salários, e manter os privilégios de uma gigantesca minoria e de um sistema, o estatal, obeso e ineficaz. O encerramento de estruturas desse sistema e o despedimento de funcionários são condições obrigatórias. Em simultâneo, é imperial a extinção imediata de privilégios supérfluos e irracionais perante a conjuntura em que vivemos. Refiro - me, só para dar alguns exemplos impressionistas, a despesas de representação, prémios e bónus, despesas secundárias, viagens e uso de viaturas oficiais excepto em deslocação oficial fora da área de trabalho do funcionário. A segunda força decisiva não fará nada disto porque, tal como todos os seus congéneres, o partido a que pertence depende do Estado para assegurar a sobrevivência e o trabalho dos quadros desse partido. E é este beco constitucional que mina por dentro o nosso país. Parece - me, pessoalmente, que a única saída é uma associação temporária da sociedade civil, unida num movimento que, respeitando a ordem constitucional, obrigue materialmente os partidos a adoptarem as estratégias que querem evitar a todo o custo. O voto em branco nas eleições legislativas e a recusa de pagar qualquer serviço estatal parecem - me ser medidas prioritárias. Os cidadãos têm de dizer claramente aos seus representantes: "Acabou, rapazes".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-1722366032618096544?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/1722366032618096544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/01/situacao-intoleravel.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1722366032618096544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1722366032618096544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2011/01/situacao-intoleravel.html' title='A SITUAÇÃO INTOLERÁVEL'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-8396248831538412765</id><published>2010-10-31T10:35:00.000-07:00</published><updated>2010-10-31T10:35:59.695-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>notas de um perseguidor de livros, revistas e jornais</title><content type='html'>Os perseguidores dos objectos citados no título deste "post" nunca tiveram uma vida simples no nosso país. Lembro - me de que na época em que Portugal estava ainda na pré - história do cosmopolitismo globalizado, à volta de 1990, quando não existia ainda internet e o avião era um transporte de elite, decidi fazer uma assinatura da revista "The New Yorker". Intensas negociações foram necessárias, por telefone também ainda, e a coisa acabou com o preço de 20 "bucks", mas mais 212 de portes de correio, quando os "greens" eram uma moeda forte. Aliás, o mais grave é que a revista, semanal, era - me amiúde roubada pelo carteiro da estação do Estoril, o que me fez perder tardes e tardes para resolver o crime. Enfim, contos da pré - história, novamente. Hoje, as coisas são totalmente diferentes, mas ainda se conseguem manter algumas das dificuldades, isto é da beleza do mistério de passado recente. Uma é a de vasculhar jornais e revistas em papel, em busca das coisas extraordinárias que se publicam todos os dias. O meu método é o de acumular várias edições do "Financial Times Weekend", lê - los todos de uma vez, e recortar os pedacinhos de papel referentes a livros que podem interessar, para depois os pesquisar através de fontes online. Foi o que andei a fazer esta tarde, e devo dizer que esta colheita de fim de Outubro é entusiasmante. Temos antes de tudo o mais "Kamchatka", do argentino Marcelo Figueras, que volta ao tema da guerra suja argentina, o período da ditadura militar, visto por os olhos de uma criança, com um enorme fascínio por Kamchatka, uma cidade russa presente no jogo de mesa "Risco". Este texto interessa - me particularmente por lidar com uma tentativa de transportar para a ficção objectos e manifestações, neste caso o jogo Risco, que fazem parte da nossa vida. Tenho tentado fazer o mesmo com obras de arte, videojogos e músicas que me tocam, sem no entanto, acho, grande sucesso. Segue -se "Every Secret Thing", de Gillian Slovo, a ficcionista sul - africana, filha de Joe Slovo um dos primeiros brancos sul - africanos anti apartheid. O livro é a história da familia de Gillian, ou seja também uma história do apartheid. Mais uma vez, o texto interessa - me por razões particulares. Acredito que através das memórias de sul - africanos, nigerianos e outros conseguimos ir um pouco mais longe no conhecimento da África portuguesa no século xx, e colmatar assim a falta de memórias e biografias que temos. &amp;nbsp;"Air", de &amp;nbsp;G Willow Wilson, é outro universo. É aquilo que agora se chama uma "graphic novel", que lida com o sonho e as realidades alternativas, e que nós no antigamente dizíamos ser BD. Esta distinção é importante, já que G Willow Wilson vem da escola americana, que nos últimos 10 anos se colocou a léguas, em potência do argumento e qualidade do traço, da escola franco - belga, que é a minha. Enfim, é a vida. "The SS: a New History", do historiador Adrian Weale, chamou - me à atenção por se dedicar ao conhecimento de uma das forças mais profissionais de investigação e informação da história recente, e que hoje parece ter sido soterrada na história, a não ser nos círculos skinheads. O que mais me interessa são os métodos de obtenção de informação das SS, especialmente a tortura, já que esse é um dos objectos da minha tese de doutoramento. "Stalling for Time" é puro "vintage" editorial norte - americano, neste caso as memórias de um negociador de reféns do FBI. É extraordinário como os americanos conseguem pegar em vidas interessantes, e usando técnicas perfeitas de recolha de informação e tratamento de texto, gerar obras que nos prendem da primeira à última página. Tenho tentado partilhar estas técnicas no mercado português, gerando o entusiasmo em alguns aprendizes, mas sem grande sucesso junto das editoras. Por último, "The New Machiavelli: How to Wield Power in the modern world", escrito por Jonathan Powell, que foi o chefe de gabinete de Blair. O conhecimento de como é efectivamente exercido o poder sempre foi prioritário para mim, porque é aquele a determinar o mundo em que vivemos. A obra de Powell vem muito bem referenciada. E fica assim concluída a recolha de uma tarde de prazer e trabalho. Como é bom folhear página atrás de página de jornal ou revista e fazer aquela descoberta iluminante que saiu mais um livro que nos possibilita grandes hipóteses de decifrar mais um bocadinho daquilo que nos intriga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-8396248831538412765?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/8396248831538412765/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/10/notas-de-um-perseguidor-de-livros.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8396248831538412765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8396248831538412765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/10/notas-de-um-perseguidor-de-livros.html' title='notas de um perseguidor de livros, revistas e jornais'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-7689292005859593662</id><published>2010-10-03T10:36:00.000-07:00</published><updated>2010-10-03T10:36:16.609-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><title type='text'>alguns frames de Tarkovsky</title><content type='html'>Não há um momento de "Stalker" que não pertença a um cenário de intensa beleza, embora toda a realidade visual do filme reproduza a fealdade de um mundo pós -&amp;nbsp;Apocalipse. Tarkovsky manipula a luz baça, a sujidade entranhada e densa e a textura destruída da cidade urbana contaminada de um modo que torna cada imagem uma fusão da fase desesperada de Turner, da intensidade de Rothko e do realismo de Hooper. Na Zona, o pedaço proibido do território onde se esconde o segredo, Tarkovsky mantém o encantamento: a natureza surge maravilhosa ou enigmática, as paisagens e materiais industriais envoltas numa escuridão de fealdade que é tão fascinante como bela. Cada frame do filme terá sido, sem dúvida, inspiração maior para tantos outros filmes e objectos de arte que, de repente, começam a surgir no nosso pensamento. Coloca - se então o problema da fixação, da circulação e do acesso. "Stalker" é um filme fixado numa película que um dia irá desaparecer, e que dificilmente terá a oportunidade de ser exposta numa parede de um museu onde se guardam as memórias visuais &amp;nbsp;maiores. Surge - nos a tristeza de Tarkosvsky não ter agido. Não ter isolado umas dezenas de frames do seu filme, e fixado a sua matéria em tela ou papel. Para que a beleza fantástica daqueles lugares e rostos pudesse existir para além do rolo de um filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-7689292005859593662?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/7689292005859593662/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/10/alguns-frames-de-tarkovsky.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/7689292005859593662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/7689292005859593662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/10/alguns-frames-de-tarkovsky.html' title='alguns frames de Tarkovsky'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-2513107500198410969</id><published>2010-08-12T11:20:00.000-07:00</published><updated>2010-08-12T11:20:13.668-07:00</updated><title type='text'>o contador relutante</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Sobre Ruy Duarte de Carvalho, publicado originalmente no "Independente", em 2001&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;O contador relutante&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Temporariamente residente em Portugal sem que quase ninguém dê por ele, exilado num escuro, anónimo, poeirento e vazio gabinete do edifício de Antropologia da velha universidade de Coimbra, está um angolano que teria muitas histórias fantásticas para contar, se tal fosse a sua vontade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Infelizmente, ao contrário do que poderia parecer à primeira vista, é mais fácil encontrar Ruy Duarte de Carvalho num labirintico e decadente imóvel da universidade de Coimbra do que lhe arrancar alguma coisa palpável sobre os seus 50 anos de filho de colonos que lutou pela liberdade da sua pátria africana, a esperança “numa ideia de Angola” que o mantém vivo, a poesia hermética, a ficção que nos traz mundos pouco habituais, ou a investigação antropológica no sudoeste angolano, de que resultou um dos mais belos livros de aventuras da literatura portuguesa dos últimos anos.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Para se chegar a Ruy Duarte de Carvalho entra-se pela enorme porta de madeira do departamento de antropologia, inquire-se junto das quatro funcionárias que tagarelam junto ao aquecedor eléctrico, admiram-se de passagem sequências enormes de belos azulejos com motivos azuis que decoram as paredes das escadas, ultrapassa-se um enorme, largo e escuro corredor, abre-se a porta onde está escrito “Antropometrista - gab 318” e encontra-se uma figura alta, elegante, magra, com uma ligeira barriga, presumivelmente construída pela cerveja angolana,&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;uma barba branca cuidadosamente aparada, a compensar alguma calvice na região frontal do crâneo, mas a condizer com uns óculos de aros redondos. A figura veste de preto, com um bom gosto ascético, e vê-se que está em casa neste cenário despojado. Ela e o espaço parecem ter sido feitos um para o outro. Talvez seja a luz escassa, a velha cadeira de madeira, ou o silêncio que predispõe para ouvir histórias de uma longitude longinqua, pausadas por fumaças saídas do cachimbo do contador. A verdade é que, seja por que motivo for, o gabinete do antropometrista é um cenário único. Um pouco semelhante aos gabinetes clínicos dos velhos hospitais públicos portugueses, depois do médico libertar boas notícias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Pena é que nada disto interfira com o homem quando dele se querem revelações, e que o percurso para as conseguir seja ainda mais sinuoso que os corredores da universitas. Ruy Duarte de Carvalho tem a sua alma e o seu percurso protegidos por coletes à prova de curiosidade, seja esta de leitor, ou de profissional. A sua delicadeza, o seu sentido de humor apuradissimo, a sua capacidade de encantar com histórias, até a sua camaradagem, que se percebem quando está envolvido numa conversa sem consequências, desaparecem quando o diálogo não é para ser só um momento a dois. As barreiras com que se protege são várias: Há primeiro o autor “snob” que defende estar tudo nos seus livros, não admitindo a importância de esclarecer pormenores ou fornecer algumas pistas sobre as origens das suas narrativas. Há, a par e passo, o intelectual cosmopolita e simultaneamente periférico que, fazendo uso de todo o arsenal linguístico que possui, à base de conceitos teóricos e categorias cientifícas, consegue responder a inúmeras perguntas sem nunca mostrar o que pensa. E, há igualmente o lutador pela liberdade do seu continente, em permanente descoincidência de rumo com o poder,&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;que sabe que em África as palavras ainda têm muito peso. Ruy Duarte de Carvalho vigia-se a si próprio, e é muito disciplinado nesse exercício. O preço são os cigarros Camel que desaparecem velozmente, e o cachimbo trincado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;No entanto, é possível, mesmo assim, contar com ele para descrever pedaços de um mundo a que muito poucos conseguem pertencer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Ruy Duarte de Carvalho nasceu em 1941, nas terras do Sul de angola, perto de Moçamedes e do deserto do Namibe. Os pais eram portugueses, e viveram sempre relacionados com a terra, tendo o pai ocupado a posição de regente agrícola. “Razões da cabeça e do coração, que às vezes não são as mesmas”,&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;como ele próprio diz, levaram cedo o jovem Ruy, então com 18 anos, a estar inequivocamente do lado “dos angolanos, dos independentistas e dos africanos”. Racionalmente, diz que a vida o colocou do lado dos que estavam a ser oprimidos. Emotivamente, aquilo a que chama a “teoria do arrepio”desfez-lhe todas as dúvidas. “Quando um jovem de 18 anos se arrepia ao ler certos poemas, o seu destino está determinado. Eu tinha uma alma angolana”. Viriato da Cruz e Aires de Almeida Santos foram os poetas que o puseram no caminho.Acompanhou o MPLA, nunca se arrependeu da sua escolha. “Sou angolano. É a minha casa. Vou lá ver se a luz está apagada”. Para ele é límpido, tudo “corresponde a uma fidelidade a determinadas referências”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;No entanto, hoje como ontem, a sua alma não o cega. Na sua casa na Maianga, um dos bairros mais carismáticos de Luanda, na cátedra de Antropologia da universidade da capital do seu país, ou nas inúmeras viagens que faz, sabe que o sonho vai sendo destruído por uma terrível realidade de guerra, fome, destruição, para indicar só alguns chavões mediáticos que não deixam de se aplicar com propriedade ao dia a dia angolano. Diz que a tristeza se gere não perdendo de vista “os verdadeiros problemas angolanos”, mantendo uma permanente “atitude muito crítica” e fazendo recurso de “uma grande ironia”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Acrescenta, com ardor na voz, que o que se passa em Angola é igual ao que se passa no Congo ou na Serra Leoa, correspondendo a “uma sequela de um processo de ocidentalização que se mantém”. Para ele, Angola debate-se com a falta de alternativas políticas e económicas, mas não é isso que o faz desistir “de uma hipótese de Angola sobreviver como país”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Confidencia que este combate está todo descrito na sua poesia, da qual “Observação Directa”, disponível em Portugal, é o último volume. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Foi também a vontade de descobrir o que é ser angolano, e a demanda de respostas para perguntas que o acompanhavam desde a adolescência, que o fez abraçar a antropologia. Curiosamente, começou pelo cinema – na sua biografia pode-se ler que produziu vinte horas de cinema documental – que considera uma óptima ferramenta para conhecer povos e modos de vida. No entanto, foi a antropologia – intervalada com outras actividades, como a regência agrícola, porque “os anos têm muitos dias”- que o seduziu definitivamente, já que lhe fornece “os instrumentos para tratar a diferença” e lhe permite ir à procura, com sentido, “do cidadão angolano”. Estudou a disciplina em Paris, entre 1979 e 1986.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;De regresso à sua terra, bem apetrechado, Ruy Duarte de Carvalho foi, a partir de 1992, ao encontro de um povo que esteve sempre atravessado na sua vida: Os Kuvale do Namibe, povo da lança, guerreiros, nómadas, pastores e angolanos como ele. O antropólogo conhecera-os na sua infância, tinha ouvido algumas das suas epopeias em conversas de mato e arredores, filmara alguns deles em 1975. Entre 1992 e 1997, vivendo longas expedições pelo mato e pelo deserto, viveu com os kuvale tanto quanto eles permitiram, observou-os, recolheu os seus depoimentos. Depois, durante um ano, escreveu um livro. “Vou lá visitar pastores”, editado em Portugal pela Cotovia, é um livro único, com a mesma magia e beleza estranha que o “Breviário Mediterrânico” (edição Quetzal) Predrag Matvejevitch.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Um dos fios condutores da escrita, que tal como a de Matvejevitch rouba coisas à ficção e à ciência, é todo o mundo Kuvale, donos de uma cultura pastoril e guerreira, mas também de resistência “porque preservam os traços de uma economia e de uma cultura pouco afectada pela colonização e pela desarticulação da sociedade que se deu após a independência”, explica o antropólogo. É fascinante encontrar nas páginas o minucioso trabalho de campo de Ruy Duarte de Carvalho, que disseca as complexas hierarquias dos clans e das famílias kuvale, as ainda mais complexas relações de poder, parentesco, amor e familiares, o quotidiano dos pastores e os seus trajectos, os roubos de gado e consequentes punições e, acima de tudo, os fascinantes rituais e partilhas da carne, o único verdadeiro bem que possuem. Está nas páginas descrito todo um povo diferente, que mantém um equilíbrio na sua sociedade e nos lugares que habitam. Todo o acto tem uma razão, e um preço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Mas “Vou lá visitar pastores” é muito mais que só observação participante dos Kuvale. É também o diário de um angolano intelectual que deixa a cidade, que viaja num Land Rover acompanhado pelo seu ajudante Paulino, dorme na tenda, adormece no deserto, sofre com o calor, em busca dos seus. “Eu cresci ali e observo concidadãos meus. Estamos implicados”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Durante aqueles cinco anos, Ruy Duarte de Carvalho percorreu as inúmeras picadas do Namibe, esperou pela altura certa para falar com os homens certos, escutou confidências e histórias míticas, observou as festas, onde às vezes também era convidado. “A confiança com os kuvale é uma manta que se vai tecendo muito lentamente”. Com um lápis e o bloco sempre na algibeira, e um gravador para todas as entrevistas. “Nas entrevistas, anoto todos os espirros, exclamações, suspiros. Um suspiro pode ser mais revelador que horas de palavras”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Realizou um daqueles projectos que perseguem a vida inteira certos homens, o que é um feito. E teve ainda tempo para ser feliz. “Estar no deserto, sair da tenda de madrugada, pelas 5 horas, antes do mundo acordar, e beber um café, é qualquer coisa... “.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Poder-se-ia pensar que “Vou lá visitar pastores” encerraria o capítulo do Sul. Mas não. Nesse inesgotável bloco notas que é o cérebro ficaram alguns apontamentos que mereciam ficção. Daí nasceu “Os papéis do Inglês”, agora editado pela Cotovia, gerado pela leitura de um conto de quatro páginas de Henrique Galvão, porque “há uma carga dramática nessas páginas que mereciam mais corpo”, explica Ruy Duarte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Diz ele que este seu livro é todo ficção, mas di-lo com um sorriso irónico. Nunca se sabe. A narrativa cruza várias histórias a partir da reproduzida por Galvão, sobre um inglês, Archibald Perkings, que no princípio do século se refugia do mundo no mato angolano, vivendo da caça, até cometer um crime, e se suicidar algum tempo depois. Dos escritos de Archibald, os papéis do inglês, que terão passado por inúmeras mãos mas nunca terão saído do sul de Angola, parte Ruy Duarte Carvalho, para se confrontar com o seu passado, e o da sua família, para voltar aos kuvale e aos seus territórios, para veladamente descrever a sua Angola de hoje, e todos aqueles que nela vivem ou não a esquecem. É uma ficção com tanto de real, mas os livros costumam ser assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="tab-stops: -72.0pt -36.0pt 36.0pt 72.0pt 108.0pt 144.0pt 180.0pt 216.0pt 252.0pt 288.0pt 324.0pt 360.0pt 396.0pt 432.0pt 468.0pt 504.0pt 540.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Book Antiqua&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 16.0pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"&gt;Ruy Duarte de Carvalho está agora em repouso, ensinando antropologia comparada e métodos e técnicas comparadas aos estudantes de Coimbra. Celibatário, depois de dois casamentos e dois filhos, ambos angolanos, vai tecendo, no segredo natural que faz parte dele, novos projectos e viagens, que darão novos livros. Continua a levantar-se de madrugada, para ver o mundo acordar. E continua a batalhar pela “hipótese que justifica a minha vida: Angola”. Foi uma das poucas revelações claras que fez.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-2513107500198410969?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/2513107500198410969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/08/o-contador-relutante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/2513107500198410969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/2513107500198410969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/08/o-contador-relutante.html' title='o contador relutante'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-5305041905616494927</id><published>2010-07-22T10:29:00.000-07:00</published><updated>2010-07-22T10:29:28.908-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='segurança'/><title type='text'>os guerreiros na praia longe de casa</title><content type='html'>Foi em 1965 que Sol Yurick, um escritor contemporâneo injustamente esquecido, publicou "Os Guerreiros". A história, modelada num clássico grego, trabalha essencialmente na descrição do regresso a casa através de território desconhecido e hostil de um "gang" juvenil de Nova Iorque. Yurick, que depois de Asbury é talvez o ficcionista que melhor conheceu o imaginário, o pensamento e a acção dos membros de gangs, concentra - se no que provoca a violência contínua exercida pelos guerreiros ao longo do seu caminho. Em termos muito simples, os guerreiros estão longe de casa, o que lhes provoca medo e, ao mesmo tempo, num paradoxo que nunca conseguem resolver, vontade de exibir valentia. Não há manual de compreensão mais adequado para a periódica violência de Verão nos transportes públicos e zonas costeiras da área metropolitana de Lisboa do que a ficção de Yurick. Na verdade, os nossos guerreiros metropolitanos fazem nos dias de calor um longo percurso que os afasta de casa, que os afasta muito de casa. O medo e a bravata, a necessidade de mostrar as suas medalhas, dominam -nos. Deste modo, o fenómeno que é já uma tradição metropolitana lisboeta de Verão não deve ser reduzido apenas a um objecto de segurança, ao contrário do que tem sido até agora, e também não se deve esperar que tenha alguma resolução eficaz. Na verdade, se&amp;nbsp;excluirmos o facto de que a verdadeira questão é a de que porque razão temos guerreiros, tema que suplanta o espaço deste post,&amp;nbsp;o fenómeno é, antes de tudo o mais, uma consequência da mobilidade urbana. Quem conhece as praias da Linha de Cascais, sabe que o fenómeno existe há mais de 30 anos. A única coisa que mudou foi o perfil dos guerreiros. Curiosamente, eles sempre vieram de zonas problemáticas da área metropolitana. Mas, até há 10 anos atrás, vieram das zonas perto da linha de Comboio. Agora, surgem das zonas contíguas às ligações de mobilidade possibilitadas pela expansão do metropolitano, e pelo interface Margem Sul - Cais do Sodré. Assim, aos guerreiros foi permitido caminhar do modo simples e rápido em percursos que no passado recente estavam desconectados, obrigavam a mudanças de transporte e eram caros. Digamos que a passagem dos guerreiros é um efeito colateral do progresso da rede pública de mobilidade, de que Lisboa tanto precisava. &amp;nbsp;A aventura periodicamente violenta dos nossos guerreiros é também um problema de falta de investigação científica e técnica. No primeiro campo, o científico, precisamos que sociólogos, antropólogos e geógrafos, entre outros, nos encontrem, através de trabalho de terreno, respostas para alguns enigmas sociais estanques. Precisamos de saber porque é que numa praia onde cabem largos milhares de pessoas, apenas algumas exercem violência. Precisamos também de saber porque é que há mais violência nos transportes e praias de Lisboa e Cascais do que na Costa da Caparica. Precisamos igualmente de saber se os guerreiros são reincidentes ou se surgem sempre novos "wannabe". E precisamos finalmente de saber que relações os guerreiros têm entre si. Ao nível da investigação técnica, temos também um número considerável de questões a colocar. Por exemplo, no domínio dos transportes, será que passes de Verão, mais carruagens de comboio e portas fechadas entre carruagens poderiam dar contributos para a redução da violência e do crime? E outro tipo de equipamentos nas praias, iriam permitir concentrações e afastamentos que provocariam um clima de maior tranquilidade?&lt;br /&gt;Em paralelo, obviamente que o trajecto de Verão dos nossos guerreiros é um problema maior de segurança. Os crimes são irrelevantes, mas a violência é tremenda, o que provoca um enorme sentimento de medo. Assim, causou - me especial surpresa que a recente operação policial nos transportes públicos tenha provocado uma atenção muito limitada dos canais de informação. Na verdade, as forças policiais fizeram o que tinham a fazer. O único modo de parar o percurso dos guerreiros é estar junto deles do começo, junto às suas casas, até ao destino final. E o único modo de lhes retirar o medo e a vontade de exibir capacidades é fazer -lhes sentir que não têm hipótese alguma de desvio. No fundo, é a aplicação a uma zona específica, transportes e praias, da teoria das janelas partidas. Assim, a operação policial limitada que foi feita tem de passar a ser sistemática, apoiada em boa informação. Não irá eliminar todos os actos de todos os guerreiros, mas irá mostrar -lhes que não estão em território sem Lei. O investimento policial no percurso dos guerreiros tem um fundamento muito poderoso. É que a manter -se o modo como os guerreiros viajam e apanham sol, irá acentuar - se ainda mais a clivagem social e étnica nos transportes públicos e praias da grande Lisboa que só percebe quem há mais de 20 anos os frequenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-5305041905616494927?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/5305041905616494927/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/07/os-guerreiros-na-praia-longe-de-casa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/5305041905616494927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/5305041905616494927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/07/os-guerreiros-na-praia-longe-de-casa.html' title='os guerreiros na praia longe de casa'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-3389879788463739945</id><published>2010-05-22T09:19:00.000-07:00</published><updated>2010-05-22T09:19:51.777-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVESTIGAÇÃO'/><title type='text'>alguns caminhos da memória</title><content type='html'>No mesmo momento em que Portugal parece estar cada vez mais uniformizado, ao nível das ideias e do imaginário, pedaços marcantes da memória e acção social colectiva das últimas décadas, coincidentes no tempo, parecem estar a percorrer caminhos distintos. Estes pedaços dizem todos respeito ao período 1940 - 1980, um tempo onde a história nacional portuguesa acelerou. Dois dos pedaços que gostava de tratar aqui são a presença portuguesa em África e a importância da esquerda radical nos contextos político e social. A África portuguesa foi, até há muito pouco tempo um imenso território histórico vazio no imaginário e conhecimento dos portugueses nascidos depois de 1980, com excepção da Guerra Colonial, claro. Na verdade, toda a complexa presença portuguesa em terras africanas, exercida ao longo dos séculos, parece ter desaparecido de repente, como se nunca tivesse existido uma ligação. Assim, nos últimos anos, têm acontecido duas coisas distintas. Por um lado, o afastamento entre a sociedade portuguesa maioritária e os países africanos, fazem com que realmente um fosso definitivo tenha sido construído. Não há hoje uma ligação construída todos os dias, por múltiplos laços afectivos e sociais. Mas é no terreno desta separação, que começam a surgir as provas das ligações profundas e antigas. Refiro - me às, finalmente, publicadas investigações históricas, como a de Cláudia Castelo, que, na senda do trabalho singular de Maria Emília Madeira Santos, trazem finalmente à partilha os dados possíveis para a decifração desse enigma polifacetado que é o dos portugueses africanos. Neste campo, o da experiência africana portuguesa, será preciso esperar ainda algumas décadas, para vislumbrar qual será o contributo dos filhos de africanos nascidos em Portugal, e o dos portugueses que agora chegam a África. Por outras palavras, será talvez nas próximas décadas que poderão ser mais claramente definidas a importância de África para os portugueses e, simultaneamente, a quantidade de memória que será partilhada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Ao mesmo tempo, a esquerda radical, que teve em Portugal quando muito 15 anos de acção, é outro enigma do qual ainda não sabemos quanta memória será conhecida. A uma visibilidade enorme de alguns dos seus membros corresponde, inversamente, um quase desconhecimento das suas práticas e até, em alguns casos, ideias. À medida que alguns dos seus elementos mais importantes vão morrendo ou envelhecendo, não têm surgido documentos de conhecimento, excepto aqueles produzidos pela imprensa, ou algum investigador mais solitário, como é o caso do jovem Miguel Cardina. Sobre este tema, o enigma continua suspenso, e é também extremamente curioso acompanhar o que trarão as próximas décadas no campo do conhecimento, se um quase deserto, se novas zonas de claridade. Para o regresso da memória, isto é para um conhecimento livre e científico do passado que permita a entrega de uma memória livre de prévios juízos ideológicos e marcas de poder exercidos em sombra, são necessárias várias condições, que muito poucas vezes são reunidas por aqui. Antes do mais, um investimento financeiro e logístico sério no trabalho dos investigadores. Depois, a eliminação de uma particularidade muito portuguesa. De facto, para uma concentração unicamente científica nos temas que importa investigar para que a memória conhecida não seja antes editada, terá que antes existir uma eliminação das linhas mestras ideológicas e intelectuais que ainda hoje continuam a determinar, em cumplicidade silenciosa com inúmeros círculos de poder com património investido nesses temas, o trabalho de investigação, impondo temas, proibindo outros, jogando assim um papel decisivo no que se conhece e no que vai sendo deixado na bruma do tempo. Com estas condições reunidas, a memória deixará de ter temas sagrados e temas tabu, e aquilo que hoje somos será conhecido de forma muito mais profunda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-3389879788463739945?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/3389879788463739945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/05/alguns-caminhos-da-memoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3389879788463739945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3389879788463739945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/05/alguns-caminhos-da-memoria.html' title='alguns caminhos da memória'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-56762568692040293</id><published>2010-05-07T03:43:00.000-07:00</published><updated>2010-05-07T03:43:56.637-07:00</updated><title type='text'>Decifrar Rodrigues</title><content type='html'>Decifrar a lógica dos dois actos do deputado Ricardo Rodrigues - o do furto dos gravadores e o da explicação pública dos seus motivos - obriga a procurar indicadores singulares. Na verdade, o primeiro indicador a seleccionar é o de que os actos são tão extraordinários que escapam à maior parte das referências racionais com que estamos habituados a lidar. Por outras palavras, poderão ficar para sempre sem explicação, tirando aquela que o autor dos actos construir para si e para o espaço público. O contexto é o de uma entrevista de uma revista semanal de informação, a "Sábado", cuja objectivo é confrontar o entrevistado com questões incómodas da sua vida pessoal e profissional. A entrevista é uma das secções simbólicas da revista, existindo há bastante tempo. A linha editorial da entrevista foi cumprida com Ricardo Rodrigues. O deputado reagiu mal, como acontece com a maior parte dos entrevistados neste formato, e terminou abruptamente a entrevista, levando consigo os gravadores dos jornalistas onde tinha sido gravado todo o conteúdo do acto. O único indicador racional que conseguimos isolar é o de que ao roubar os gravadores, o deputado tentou eliminar a entrevista. Tentou apagar definitivamente a conversa onde tinha participado. Tentou reescrever o passado imediato. É fascinante, sem dúvida. Mas é, para começar a enumerar as razões do acto ser impensável a partir de indicadores que conhecemos, impossível que o deputado tenha pensado deste modo, porque o mundo social a que pertence não o permite. Reescrever o passado e o presente, durante um período de tempo de média duração, é apenas possível num regime totalitário, onde o poder em exercício consegue realizar o controlo dos meios tecnológicos, da difusão da mensagem, do comportamento dos cidadãos, e de todos os "checks and balances", nomeadamente os que aplicam a Lei.&amp;nbsp; O deputado pertence à Assembleia da República, o sinal mais claro de que em Portugal existem um regime constitucional democrático. Deste modo, podem apenas ser levantadas duas hipóteses, ambas, novamente, a partir de indicadores anormais. Na primeira, o deputado, quando confrontado com uma situação limite, aquelas escassas onde verdadeiramente nos revelamos, mostra que não é capaz de lidar com condições básicas democráticas. Na segunda, o deputado mostra que se acha acima ou que é capaz de eliminar as condições básicas democráticas. O segundo acto, o da partilha pública das razões que levaram à execução do primeiro acto, obriga à procura de indicadores ainda mais singulares. Em verdade, qualquer que seja o rastilho pessoal do deputado que o levou a actuar, não há nada para partilhar, a não ser um pedido de desculpa e a confirmação pessoal de entrada num período de afastamento de funções públicas. O deputado preferiu construir uma justificação para o seu acto, fundamentada numa resposta emocional a uma violência psicológica intensa exercida pelos jornalistas. É extremamente difícil analisar este argumento, e qualquer indicador a que possamos recorrer é demasiado singular, de novo. A violência psicológica faz parte do quotidiano pessoal e especialmente profissional de todos nós, estando longe de nos garantir o direito de retaliar fora das regras. Assim, ao avançar com este argumento, o deputado parece mostrar que acredita que as suas razões podem ser acolhidas pelos cidadãos, ou que acredita que o caos em que está transformado o espaço público nacional é condição suficiente para que a mensagem que está a espalhar consiga eliminar ou atenuar o acto que cometeu. Qualquer destas hipóteses é verdadeiramente singular.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-56762568692040293?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/56762568692040293/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/05/decifrar-rodrigues.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/56762568692040293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/56762568692040293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/05/decifrar-rodrigues.html' title='Decifrar Rodrigues'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-724904071940092818</id><published>2010-04-09T03:57:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T03:57:14.294-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quotidiano'/><title type='text'>o chinaman e a extinção dos limites do multiculturalismo</title><content type='html'>É quase um axioma para qualquer cidadão ocidental minimamente atento que a melhor hipótese de sobrevivência de sociedades velhas e gastas como a portuguesa está na injecção de novo DNA. Deste modo, a militância activa pela opção multicultural está entre aqueles que considero como os meus deveres essenciais. Antes do mais, nas escolas, especialmente nas de elites, e no mercado de trabalho. Em termos muito rudimentares, a ideia é a de que integrar a diversidade enriquece toda a gente, e quanto maior conhecimento for adquirido por todos os diferentes, mais dinâmica fica a sociedade, isto é, todos nós. Além de que, claro, a uniformidade é monótona. Mas mais interessante ainda, dizem os teóricos, é conseguir a combinação quase mágica entre novo DNA e o melhor dos traços nacionais da sociedade acolhedora. Um palco de combate essencial para esta luta é o bairro, claro, já que inúmeros estudos científicos e empíricos mostram que a integração resulta sempre melhor quando o Outro é aceite numa pequena comunidade local, ou seja, a rua, o bairro, a zona. Daí que defender a vinda de imigrantes para uma sossegada rua de um bairro de classe média da ainda mítica mas muito abalada linha de Cascais tenha sido sempre uma aposta pessoal, embora, claro, levante periodicamente as sobrancelhas cépticas de muita gente. Na verdade, mostra felizmente a realidade, os cépticos podem beneficiar do conforto que é garantido pela imobilidade, e têm certamente a sabedoria de que as mudanças geralmente são perigosas, mas a realidade mostra que a sociedade portuguesa é uma daquelas que com maior eficácia consegue integrar toda a diferença, enriquecendo -se de modo decisivo. De facto, no espaço da minha latitude, os brasileiros, os angolanos, os ucranianos e especialmente o chinaman e o seu clã de geometria variável provam que os limites do multiculturalismo são extintos pela poderosa capacidade portuguesa de entranhar nos outros os seus valores básicos de modo rápido e eficiente . Os brasileiros foram recebidos de braços abertos, beneficiando daquela lenda de povo aberto, alegre, improvisador e easy going. É tudo verdade.&amp;nbsp; É fantástico descobrir que aberto significa ter 23 "caras" a viver harmoniosamente num T0, contornando assim a crise económica, alegria que as dj sessions de forró são até às 3 horas da manhã para o bairro todo, o que revela um profundo sentimento comunitário, improvisador que o átrio do prédio sirva para abrir um restaurante de "churrasquinho", o que é um exercício notável de empreendedorismo, e easy going uma aventura impossível de descrever. Os angolanos foram uma aposta pessoal, por razões biográficas. O trio de rapazes que uma noite chegou teve isso em conta. A actividade mais integradora que periodicamente exercem é a de se pegarem&amp;nbsp; à pancada às duas da manhã, com a porta do apartamento aberta, por causa do Benfica, do Sporting e do Amadora, e participam activamente nas culturas juvenis em alta, nomeadamente "kitando" e experimentando até ao nervo os Seat Ibiza durante a noite na nossa extensa rua de 150 metros. Os ucranianos, tenho de admitir, são o meu caso mais complicado. Uma família honrada e trabalhadora, com dois filhos à entrada da idade adulta. Mas, tirando o facto de terem colocado uma corda de estender a roupa que ocupa toda a largura do prédio, onde a cada 48 horas são colocadas três máquinas de roupa preta, o que prova aquele asseio alentejano clássico, não consigo detectar nenhum sinal integrador, até porque as minhas tentativas de meter conversa são sempre recebidas com um "pois, pá". Pelo contrário, o chinaman e o seu clã são o meu motivo de orgulho. Antes de tudo o mais, provaram que as linhas teóricas recentes de comunitarismo urbano estão absolutamente correctas, e abriram uma pequena frutaria de bairro. É extremamente porreiro, vizinho. As velhinhas, que já não se mexem, vão lá fazer o seu avio diário, aprenderam umas palavras de cantonês, e os jovens profissionais urbanos que chegam tarde a casa sempre sabem que às 20h30 ainda podem comprar uma bananinha para comer com o iogurte, ou uma maçã para enfeitar a pizza congelada. É verdade que a frutinha não dura mais do que 12 horas, e feitas as contas os preços são um negócio da china para o vendedor, mas é o imposto do local e da comodidade. Mas o que realmente me encanta é a carrinha de carga, que para mim é um símbolo notável de como o espírito português contamina de modo absoluto todos os que vêm de fora para lutar pela vida. O chinaman, como todos os pequenos empreendedores nacionais de comércio e serviços, têm uma grande carrinha de carga branca, daquelas com uma altura de um 1º andar. Ora, o chinaman tinha um problema: a sua frutaria é na esquina, tinha de descarregar diariamente o material, e como todos nós era afectado por aquela grande calamidade nacional de nunca ter lugar para estacionar mesmo à porta de casa. A princípio, o chinaman parava na passadeira de peões, mas era uma solução precária, porque via que todos nós cumprimos a Lei, e que o grosso da sua clientela são velhinhas que têm horror a atravessar fora da passadeira. Foi aqui que o chinaman e o seu clã mostraram o seu elevado grau de integração, ao revelarem aquele engenho tão especificamente português. O chinaman mandou um dos membros do clã esperar, até conseguir ver um lugar de estacionamento vago mesmo, mesmo na esquina da frutaria. Quando finalmente, ao fim de umas semanas, o lugar vagou, o membro do clã ocupou - o com o pequeno Kia roxo, conseguindo, com uma manobra cheia de yiang, antecipar -se ao almirante reformado que avançava com o seu Honda de 1995, há cinco anos parado no passeio, por debaixo do estore do seu rés- do- chão. Houve uma troca de insultos durante uns minutos, mas nada de extraordinário. A partir daqui, o chinaman provou ser um verdadeiro português. A dinossáurica carrinha branca está fixa no lugar de estacionamento, e serve de armazém da fruta, que várias vezes ao dia é transferida para a frutaria por duas senhoras do clã. À noite, a fruta volta para a carrinha, garantindo assim todas as condições de higiene e ventilação que garantem a sua frescura. Uma vez por semana, entre as 5 horas e as 8 horas da manhã, quando o chinaman tem de ir ao MARL reabastecer, faz - se acompanhar por outro membro do clã, que desloca o Kia roxo para o meio do lugar. O almirante topou a coisa, e tentou um golpe de guerrilha numa madrugada de semana, mas o chinaman pôs -se à frente dele com a carrinha. Deste modo, a situação de lugar reservado prolonga - se já há vários meses. Um analista parcial e resistente à integração multicultural dirá que temos aqui um exemplo vivo de egoísmo, manhosice, mesquinhez e falta de respeito pelo espaço público, inaceitáveis numa sociedade evoluída e tolerante. Mas eu, que recuso que aqueles traços sejam constituintes da personalidade colectiva nacional, vejo apenas um exemplo superior de estratégia, disciplina, tenacidade e individualismo que não só são os traços essenciais de qualquer povo vencedor, como são indicadores do nosso melhor espírito nacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-724904071940092818?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/724904071940092818/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/04/o-chinaman-e-extincao-dos-limites-do.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/724904071940092818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/724904071940092818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/04/o-chinaman-e-extincao-dos-limites-do.html' title='o chinaman e a extinção dos limites do multiculturalismo'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-8855933701767028087</id><published>2010-03-10T02:53:00.000-08:00</published><updated>2010-03-10T03:35:08.086-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>algumas hipóteses realistas para o futuro próximo</title><content type='html'>Como é do conhecimento daqueles que amavelmente seguem os escritos deste espaço, tenho acompanhado com a maior concentração possível o debate em torno do futuro dos autores e do livro, que se reacendeu um pouco por todo o mundo quando a Apple partilhou, há algumas semanas, a configuração essencial do IPad, o seu novo gadget. Uma primeira reflexão deu já origem a um post no Sniper ("risco intenso para o escritor português"), mas alguns contributos recentes e decisivos de especialistas obrigam a novas linhas. Para este momento, isolo dois textos particularmente importantes, um publicado no "Financial Times" em 9 de Fevereiro ("A page is turned") e outro de Jason Epstein, o real insider da edição, na "New York Review of Books" de 11 de Março ("Publishing: The Revolutionary Future"). Curiosamente, os dois textos, equivalentes em importância, unem -se numa linha de fundo estrutural, a de que o máximo a que se pode chegar neste momento é a conjecturas com um grau sério de realismo, mas também se complementam. O do "FT" procura dar conta da estratégia dos grandes conglomerados editoriais globais face à existência do texto digital. A investigação trouxe à tona revelações insólitas. A resposta dos grandes conglomerados editoriais é a de que vão manter o modelo de produção assente no papel (edição - impressão - distribuição), continuando a editar no modelo "codex", reservando para o mercado do texto digital apenas a negociação do preço de venda dos livros em formato digital com as entidades que o distribuem e vão distribuir no futuro. Esmiuçando esta estratégia, os editores não vão editar na plataforma digital, estando apenas preocupados, para já, em conseguir a melhor negociação possível com os grandes "players" deste ambiente, como a Amazon e a Apple. É neste ponto fundamental que o texto de Epstein - com o peso de muitas décadas na edição - ganha um interesse maior, já que, para ele, a estratégia dos conglomerados editoriais é um total suicídio. No seu texto, Epstein garante que "the transition within the book publishing industry from physical inventory stored in a warehouse and trucked to retailers to digital files stored in cyberspace and delivered almost anywhere on earth as quickly and cheaply as e - mail is now underway and irreversible. This historic shift will radically transform worldwide book publishing, the cultures it affects and on which it depends". Na sua longa reflexão, Epstein toca em todos os nós vitais da cadeia escritores - editores - distribuição - venda, mas neste "post" apenas consigo fazer alguma reflexão possível sobre os que mais me tocam. O primeiro é que o actual modelo empresarial da edição está condenado. Tal como defendi há umas semanas aqui no Sniper, há alguns traços que convém destacar desde logo. A distribuição e a venda em livraria tradicional são os nós onde haverá mais impacto. A edição será totalmente reformulada, e em lugar da grande editora nacional de gestão vertical, pertencendo ou não a uma multinacional, teremos nichos de editores, ligados além - fronteiras por interesses editoriais comuns, e capazes de juntar numa rede privada e empresarial todas as funções necessárias: pesquisa de autores, edição, comunicação e venda. Aqui, será aparentemente decisivo o modo de venda, com a introdução de modelos como o da expiração da licença e o aluguer, e a protecção do conteúdo face à ideologia do ficheiro gratuíto. O processo não está ainda em marcha porque, escreve Epstein, "the resistance today by publishers to the onrushing digital future does not arise from fear of disruptive literacy, but from the understandable fear of their own obsolescence and the complexity of the digital transformation that awaits them (...)". Para os autores, o futuro próximo é igualmente complexo. No "literary chaos of the digital future", como classifica Epstein, várias tendências aparecem desenhadas. Um ponto essencial parece ser o da obtenção de um "contrato global de direitos de autor", que permita, exactamente, a venda directa do livro digital ne internet, ou seja em todo o mundo. Obtido este, várias possibilidades podem desde já ser vislumbradas. Uma delas é a do o autor "acantonar- se" no seio do lugar virtual de um editor de reputação, capaz de lhe dar visibilidade num directório global como é o Google. Outra, que começa a ser adoptada pelos monstros best - sellers saxónicos,&amp;nbsp; é a do autor, secundado por especialistas, assumir a comunicação e a venda. Qualquer que seja o cenário, a liderança em vendas e notoriedade será sempre dos autores que, como existem já exemplos em Portugal, estejam posicionados para comunicar em todas as plataformas, especialmente na televisão e na rede, e escrevam segundo as regras "mainstream" do momento. Neste cenário, vários problemas graves se levantam. Talvez o mais importante seja o da preservação segura e durável da cultura e do conhecimento, que, sem dúvida, são transmitidos acima de tudo pelo livro. Em que suporte serão transmitidos às bibliotecas os textos, de que modo se garante a sua inviolabilidade eterna, e igualmente de que modo se garante a disponibilidade aos leitores dos "fundos de livros" ( um problema já hoje em dia, devido à alta rotatividade do título em livraria) são temas em aberto. Uma única certeza existe em todo este processo: tal como em todas as outras áreas do mundo contemporâneo, há muito tempo, na verdade desde 1850, que a sociedade humana não acelerava tanto.&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-8855933701767028087?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/8855933701767028087/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/03/como-e-do-conhecimento-daqueles-que.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8855933701767028087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8855933701767028087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/03/como-e-do-conhecimento-daqueles-que.html' title='algumas hipóteses realistas para o futuro próximo'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-3121770071834851863</id><published>2010-02-21T10:37:00.000-08:00</published><updated>2010-02-21T10:37:17.057-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>histórias reservadas</title><content type='html'>Na verdade, não é exagero escrever que há pelo menos uma boa história para contar por pessoa. Uma das mais extraordinárias descobertas de leccionar o curso "histórias de família" na Escrever Escrever é a provocada pelo calibre das histórias que cada um tem consigo, por vezes durante gerações. Nesta experiência, que acumula já vários cursos de dez horas, trazendo ao meu contacto várias dezenas de pessoas, é possível detectar duas ou três linhas mestras muito fortes. Uma primeira tem a ver com a exacta coincidência entre a história pessoal e a história de Portugal nas últimas décadas, especialmente com os acontecimentos marcantes, como são a vida em ditadura ou a guerra colonial. Uma segunda é alimentada pelas "questões invisíveis", como a luta das mulheres pela igualdade, as mães solteiras ou a infidelidade. Uma final é construída a partir de momentos marcantes ou familiares marcantes, por vezes com histórias verdadeiramente extraordinárias. O material conhecido ou investigado pelos alunos é luminoso e tanto pode ser usado para memórias ou histórias particulares, géneros tão escassos na edição portuguesa, como para base de partida para ficções com elevado potencial. Contribuir para conceber estas histórias, e para que os seus detentores as passem a texto, é um serviço que se paga a si próprio.&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-3121770071834851863?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/3121770071834851863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/02/historias-reservadas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3121770071834851863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3121770071834851863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/02/historias-reservadas.html' title='histórias reservadas'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-7069513068895722414</id><published>2010-02-07T11:19:00.000-08:00</published><updated>2010-02-07T11:19:39.661-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVESTIGAÇÃO'/><title type='text'>tentação de controlo e tipologias de influência</title><content type='html'>A publicação editada de algumas interceptações telefónicas realizadas pela Polícia Judiciária, sem que se conheça ainda a totalidade destas e o seu conteúdo integral, sobre um hipotético e não provado plano de tomada de controlo, desenhado por um núcleo de poder relacionado com o Primeiro - ministro em funções, de alguns órgãos de comunicação social, é um bom motivo para partilhar duas ou três hipóteses de análise relacionadas com o exercício do poder e da influência no nosso país. A primeira hipótese de análise está relacionada, como não poderia deixar de ser, com o exercício efectivo do poder judicial e de investigação criminal&amp;nbsp; e o confronto destes com a limitação de informação pública imposta pelo segredo de justiça. Se outros casos semelhantes do passado recente não fossem suficientes, o que analisamos neste momento prova sem margem para dúvida que o segredo de justiça clama por reforma imediata. De facto, em boa verdade, a divulgação de um conteúdo limitado das interceptações telefónicas provoca um número considerável de problemas de extrema gravidade, que só poderão ser eliminados com a publicação integral do conteúdo com relevância pública de todas as escutas relacionadas com a investigação realizada.&amp;nbsp; O primeiro problema é a suspeita fundamentada de que alguma entidade, colectiva ou individual, das que formam o núcleo restrito com acesso ao conteúdo das escutas e dos despachos do MP tenha decidido pela sua passagem ao público depois das instâncias judiciais superiores não lhes terem conferido valor, radicalizando assim um confronto de poderes constitucionais e internos, estes últimos dentro do edifício da Justiça, e uma tipologia de influência que são comuns no portugal democrático e que são fundamentados ideologicamente pela interpretação que alguns operadores judiciais concebem para as suas funções, e que não parece ser compatível com o princípio da lealdade que deve nortear o processo judicial. O segundo problema relaciona-se, claro, com o conteúdo revelado das interceptações. Este é conhecido depois de, pelo menos, uma dupla edição, a do operador judicial e a do jornalista, desligado do seu conteúdo integral, e do contexto em que é gravado. Assim, não é aceitável que a edição do conteúdo, que implica acima de tudo inclusão e exclusão de dados, e depende inteiramente da experiência, conhecimento e convicção dos editores, possa ser confundida, como é a partir do momento em que o conteúdo é publicado, com a verdade factual. O terceiro problema é que a passagem para o espaço público do conteúdo das interceptações transforma estas últimas naquilo que não são. Uma interceptação é uma ferramenta de investigação, no sentido em que permite obter em tempo útil dados que norteiam a descoberta de factos, quando muito um meio provisório ou auxiliar de prova, no sentido em que fornece diversos modos de obter dados decisivos, e raramente um meio de prova isolado ou definitivo. Transformar a natureza de uma interceptação, através da publicação do seu conteúdo, dando-lhe assim um carácter infalível e definitivo é incorrecto e perigoso para todos os envolvidos numa investigação criminal.&lt;br /&gt;A segunda hipótese de análise tem directamente a ver com a tentação de controlo por parte do poder político, especialmente do poder executivo, das empresas de comunicação social.&amp;nbsp; Não é intelectualmente honesto escrever, como alguns dos nosso principais comentadores têm feito nos últimos dias, que é original o hipotético desenho de operação que poderá ter sido executado por elementos da confiança do poder executivo em funções. Na verdade, a história democrática do nosso país desde 1974 é também uma história de permanente tentação e execução de controlo da comunicação social, realizada por todos os quadrantes políticos e alguns económicos. As tipologias para o conseguir são, quase sem excepção, as conhecidas, e os níveis de sucesso e insucesso nestes esforços são também de rápida recordação. Ao nível da propriedade, o financiamento directo ou indirecto, através de fundações, empresas ou bancos, nacionais e internacionais, do capital das empresas de comunicação social, bem como das respectivas receitas. Ao nível da hierarquia editorial, a cumplicidade, imposição ou colocação de chefias nos vários níveis das redacções. Ao nível do acesso, a sedução de jornalistas ou a negação de informações. Assim, deste modo, nasceram e morreram empresas de comunicação social, outras mudaram abruptamente de linha editorial, e, finalmente, outras mantiveram-se constantes porque o exercício da influência é de longa duração temporal e mais profissional. Do mesmo modo existe uma relação directa entre o exercício invisível da influência política na comunicação social e o ciclo "produtivo" do poder executivo, e a sua visibilidade súbita e crispada e o ciclo "problemático" deste último. O que poderá haver de novo na mais recente operação, que só poderá ser analisada quando todos os factos forem conhecidos, é alguma sofisticação conceptual, trazida pelo recurso velado a empresas com capital público e a actos de engenharia financeira, aparentemente anulada por um exercício primário de influência por parte dos condutores da referida operação. De qualquer modo, o que é de apontar mais uma vez é que os projectos de jornalismo em Portugal raramente conseguem escapar à asfixia de serem também projectos políticos, um cenário que apenas atormentaria um número apreciável de jornalistas, mas não a&amp;nbsp; totalidade, não se desse o caso de a informação pública ser vital para uma democracia saudável e um controlo do exercício dos mais diversos poderes.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Uma linha de análise derradeira relaciona -se com a obsessão mediática por parte dos diversos poderes, mas especialmente do poder político, já que, porventura, é este que mais depende da opinião pública para a concretização dos seus objectivos. Neste ponto poderiam ser levantadas várias linhas de discussão, mas será talvez mais útil reduzir a análise apenas aquilo que poderemos chamar, à falta de melhor conceito, de círculo virtual. O que se observa repetidamente quando se passam alguns anos de contacto directo com os poderes constitucionais é o fechamento daqueles que ocupam as respectivas funções num círculo virtual fechado, criado pelos próprios, onde, basicamente, circulam apenas políticos, empresários, magistrados, jornalistas e, pontualmente, polícias. Uma mistura da incapacidade de lidar com os efeitos hipnóticos do controlo temporário do poder, uma tentação irresistível de estender a rede de influências e de a tornar dominante, e uma imaturidade intelectual que faz com se torne insuportável a realidade de que a democracia é um permanente confronto de "checks and balances", levam os membros deste círculo virtual a desenvolver obsessões, a conjurar cenários de conspiração e a desenvolver estratégias de eliminação que não pertencem e nada têm a ver com os interesses maioritários e decisivos da sociedade portuguesa. Na verdade, o mais importante de toda esta conjuntura é ser aparentemente nítido que o poder executivo considerou a questão mediática como prioritária na sua agenda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-7069513068895722414?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/7069513068895722414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/02/tentacao-de-controlo-e-tipologias-de.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/7069513068895722414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/7069513068895722414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/02/tentacao-de-controlo-e-tipologias-de.html' title='tentação de controlo e tipologias de influência'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-6432277700975376497</id><published>2010-02-01T04:02:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T04:02:39.650-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Risco intenso para o escritor português</title><content type='html'>Circulam cada vez mais intensamente informações e algumas análises estratégicas sobre o que espera os escritores nos próximos anos. O pano de fundo para tanta incerteza é, obviamente, a revolução tecnológica em curso capaz de virar do avesso todo o processo de produção, e que ganhou algum aceleramento com a chegada do Ipad, a maravilha da Apple de potencial ainda não confirmado. Na verdade, como ainda esta semana John Lanchester escreve no "Financial Times" "ninguém sabe como isto vai funcionar". Várias equações, com fórmulas para as resolver ainda desconhecidas, estão a ser lançadas para as mesas dos envolvidos em todo o mundo, sendo que uma das mais importantes, e a única que tratamos neste texto, é a do cálculo das consequências da passagem do texto a produto digital. A equação poderá ser enunciada do seguinte modo: os leitores adoptam massivamente o texto em formato digital. Aplicando a mesma tendência cultural já estabilizada na música e no cinema, defendem que o produto deve ser gratuito. Aceitando estas duas variáveis como assentes e dominantes do mercado num futuro próximo, é necessário tentar desenhar as hipotéticas linhas mestras da revolução. Começando pelo fim da cadeia, uma extinção ou completa reinvenção das livrarias. No coração do processo de produção, uma diminuição radical do papel das gráficas e das distribuidoras. No centro da cadeia, uma desvalorização das editoras, e uma queda brutal das suas receitas, dando possivelmente origem a micro - empresas especializadas em serviços técnicos, como a detecção de novos talentos, a revisão e publicação nos vários formatos digitais dos textos, ou a "boutiques" com selo de qualidade, criado pelo valor no mercado dos autores que representam. Para o escritor, o cenário do futuro imediato parece ser ainda mais indistinto. À partida, com a eliminação do valor retido pela editora e pela distribuidora, poderá ver a sua margem de receita, que vai hoje dos 10 aos 36 por cento, chegar facilmente a números entre os 70 a 80 por cento. O problema é o de que estará completamente dependente do mercado, isto é do seu sucesso junto dos leitores. Neste ponto, é curioso notar algumas experiências, como os espectáculos em "tour" organizados por Malcolm Gladwell ou Lawrence Wright, que de algum modo tentam replicar o circuito dos concertos das bandas musicais, ou as campanhas de PR à volta de Dan Brown. Na verdade, para o escritor, as questões chave são duas. Se o texto for gratuito, como ganhar dinheiro com ele? E se o mercado ditar o texto, como fará um escritor que tem uma história para escrever, sabendo que esta não será acolhida pelo mainstream? Só pensar nas variáveis da equação é suficiente para perceber que dificilmente escaparemos à revolução num tempo muito próximo. O texto será cada vez mais um produto que será imposto ao mercado. Algumas intensas polémicas surgirão sobre as instâncias de validação que irão surgir para garantir a qualidade do texto ficcional, e o seu apoio através de algum tipo de mecenato. Num mercado pequeno, acorrentado e onde não se assumem as identidades da ficção como é o nosso, a incerteza será ainda mais acentuada, e o risco será muito intenso.&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-6432277700975376497?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/6432277700975376497/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/02/risco-intenso-para-o-escritor-portugues.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/6432277700975376497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/6432277700975376497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/02/risco-intenso-para-o-escritor-portugues.html' title='Risco intenso para o escritor português'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-1327078643897859422</id><published>2010-01-17T12:15:00.000-08:00</published><updated>2010-01-17T12:15:44.427-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><title type='text'>o elo  e o trabalho ficcional com referências</title><content type='html'>O elo em Avatar, o filme de Cameron, é desde já uma das maiores criações ficcionais de sempre, e a sua matéria permite arriscar dizer que o será também para sempre. O elo, que explique -se aos que ainda não viram o filme é a ponta da cauda dos membros do povo Na´vi, que lhes permite uma união física e espiritual com os animais e as plantas, tem um poder simbólico duplo. É ao mesmo tempo uma aplicação feliz em matéria do desejo do homem comunicar e estar em união com a natureza e a espiritualidade, e, simultaneamente, um novo membro orgânico que permite visualizar até onde o homem pode ir, utilizando a bioengenharia e a biologia sintética na manipulação do seu dna, para ganhar novas capacidades que o construam como melhor ser. O elo, sendo a plataforma que permite o fluxo espiritual e ecológico, mas sendo matéria que pode ser observada, transforma - se assim num poderoso objecto que dificilmente sairá da memória dos que o viram, e que virá certamente a ser invocado no futuro de mil e uma maneiras. Mas o elo é apenas a criação ficcional chave de um filme que recupera e manipula, com o atrevimento próprio de que só um mestre de Hollywood é capaz, um número considerável de referências a que muito poucos são insensíveis, dado que fazem parte daquilo que observam na sua contemporaniedade ou do seu património vindo da juventude. Neste campo, um exercício interessante a fazer é o de conseguir saber se Cameron e a sua equipa trabalharam com as referências com o objectivo de criar um objecto novo, no sentido de levar essas referências para a construção de uma história radicalmente original, ou se apenas as utilizaram como património universal que sabem que é com o objectivo de garantir o sucesso do seu produto. Esta é, claro, uma questão para a qual não temos resposta. Podemos, no entanto, ter uma avaliação pessoal da eficácia do trabalho com referências. Porventura, a maior desilusão é o trabalho em torno do ser digital que dá o nome ao filme, ou seja o Avatar. Na verdade, Cameron encontra um modo de fazer a ligação entre ser humano e a sua réplica digital, mas o modo como o faz, através de uma câmara que consegue transportar a matéria e o imaterial de um corpo para outro, faz lembrar demasiado a criogenia e a ficção científica dos anos 70. Para mais, neste ponto, a utilização escassa de cenários e paisagens digitais é também um reforço da desilusão. Já noutra dimensão do trabalho com referências, o contexto civilizacional do povo Na´vi é seguro, mas também limitado. Cameron, em algumas entrevistas, fala de que partiu das velhas ficções de Rice Burroughs na selva africana e de "danças com lobos", o épico de Costner, mas, na verdade, na cultura e no comportamento dos Na´vi apenas consigo ver os índios mitológicos norte - americanos, como os apache, a que é dado um toque espiritual africano, nas grandes cerimónias colectivas de invocação do poder da natureza. Aqui faltou a Cameron um toque de genialidade: a construção efectiva de um Outro, de uma nova identidade que pudesse ser observada. Porventura, a maior desilusão é o emprego de referências para a construção do conflito. Três aspectos devem ser aqui mencionados. A chamada ao argumento da obtenção de minérios raros é interessante, mas Avatar não mostra o horrendo do trabalho nas minas, de que a realidade que todos os dias se observa na República Democrática do Congo é um exemplo. As cenas de batalha são primárias e estereotipadas, e este teria sido um campo onde valeria a pena investir, já que o modo de fazer a guerra mudou tremendamente nas últimas décadas. Mas, sem dúvida, o maior desencanto é com a escolha e visualização da tecnologia bélica contemporânea. Cameron está absolutamente certo em trazer para a filmagem a robótica e o emprego da tecnologia e da máquina no campo de batalha, em lugar do homem, mas as armas que apresenta são rudimentares e quase primitivas, quando abundam, na literatura técnica e ficcional, especialmente nos videojogos, exemplos muito interessantes de novas ferramentas de guerra. Apesar de todo este emprego deficiente das referências escolhidas, na minha opinião, Avatar é um filme extraordinário, que me tocou de um modo imenso. Porquê? Creio que as razões são perfeitamente lineares. Mesmo para um ser pouco espiritual como eu, a linha condutora simbólica da história, a mensagem espiritual e ecológica, é muito forte. Mas o factor decisivo, o que realmente é tocante, é a extrema beleza visual de todo o filme. Neste ponto, antes dos mais, Cameron provou que as novas ferramentas tecnológicas de imagem e edição permitem fazer um cinema novo. Mas, o mais importante é que a contratação de uma bióloga para criar o ecossistema de Pandora foi a melhor decisão do realizador. Toda a estrela, toda a sua paisagem e flora, e todo o povo que a habita, são imensamente belos, e a esse efeito encantador é impossível escapar.&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-1327078643897859422?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/1327078643897859422/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/01/o-elo-e-o-trabalho-ficcional-com.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1327078643897859422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1327078643897859422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/01/o-elo-e-o-trabalho-ficcional-com.html' title='o elo  e o trabalho ficcional com referências'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-8065306330081510535</id><published>2010-01-11T03:49:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T03:49:42.315-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>impossibilidade de protecção</title><content type='html'>"A Estrada", escrito por Cormac McCarthy em 2006, e um filme agora estreado em território nacional, tem por tema uma angústia sempre secreta, pessoal e devastadora, aquela que um pai traz em si a partir do momento em que sente que a qualquer momento pode deixar de conseguir proteger o seu filho. Não será arriscado escrever que o quotidiano de Mccarthy contribuiu bastante para a escrita desta história. O autor americano tem, apesar da sua idade avançada, um filho criança. Por outro lado, o cenário de um mundo pós - apocalipse, onde se desenrola a narrativa, é um dos mais debatidos no meio científico onde o escritor está inserido, o do Santa Fé Institute. Mas, na verdade, o que o livro conta é a dor trazida pela descoberta da impossibilidade de proteger um filho ainda indefeso, e a tentativa desesperada de eliminar esta certeza. Perder um filho ou ver sofrer um filho, conta - nos a realidade e a ficção demasiadas vezes, é uma experiência que destrói tudo, até a tentativa de a contar. Um pai enfrentar a sua partida com o filho ao lado é uma experiência distinta, onde existem, pelo menos, dois pontos insuportáveis. O primeiro tem a ver com a descoberta, feita num quotidiano onde a todo o momento se encontram os olhos da criança. O segundo tem a ver com o tempo, já que se o desaparecimento não é imediato, todos os dias começa um novo dia onde se sabe que num dia próximo o filho vai ficar sozinho e indefeso. Transformar este medo e este desespero numa narrativa que pode ser partilhada é uma tarefa quase impossível, daí "A Estrada" ser um livro maior. &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-8065306330081510535?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/8065306330081510535/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/01/impossibilidade-de-proteccao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8065306330081510535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8065306330081510535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2010/01/impossibilidade-de-proteccao.html' title='impossibilidade de protecção'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-6926318508241867610</id><published>2009-12-23T02:40:00.000-08:00</published><updated>2009-12-23T02:40:38.293-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quotidiano'/><title type='text'>a vacina não é só uma opção individual</title><content type='html'>Existem duas razões poderosas para tomar uma vacina, especialmente quando está em causa uma pandemia provocada por um vírus de fácil disseminação, como é o da gripe A. A primeira é bastante simples: a vacina garante uma taxa alta, mas não absoluta, de protecção ao vacinado. A segunda é mais complexa, e, no actual contexto português, tem sido sistematicamente ignorada, especialmente por grupos de referência, como são os enfermeiros e médicos: tomar a vacina é um acto de profundo civismo comunitário, já que corta a pandemia num ponto individual da cadeia de infecção. No que concerne o primeiro argumento para tomar a vacina, há que tentar separar a evidência científica existente, que não pode ser tomada como definitiva, e o ruído argumentativo sem sustentação científica.&lt;br /&gt;O material científico produzido até agora, pelas próprias farmacêuticas, mas também por organismos científicos independentes, de controlo e de investigação, mostra que a vacina é a única protecção eficaz contra o vírus. Mostra igualmente que não foram identificados ainda efeitos secundários que representem um risco presente ou futuro para a saúde de quem se vacina. O "ainda" é muito importante, já que na medicina, como em qualquer área científica, a investigação é permanente, fazendo com que os paradigmas de hoje sejam destruídos amanhã.&lt;br /&gt;Apesar de todo este material sólido, que deve ser constituído como matéria importante de apoio a uma decisão, o fenómeno, que é global, dos "cidadãos e pais anti - vacina", tem um peso enorme, não só em relação a esta vacina, como no que concerne a maior parte delas. O movimento, extremamente organizado em muitas paragens, como os EUA, suporta - se numa série de argumentos, da crença que as vacinas provocam doenças, totalmente refutada pelos vários estudos científicos, à convicção de que o objectivo é o lucro das farmacêuticas, quando a vacina é o produto menos rentável do seu catálogo, até à aplicação de uma ideologia, por exemplo anti - capitalista, ao objecto "vacina". E, claro, basta uma pequena sondagem junto do meio privado de cada um para encontrar argumentos como os seguintes: "os meus filhos são saudáveis, não precisam", "a vacina não protege nada", "o médico acha que não é fundamental".&lt;br /&gt;O efeito deste argumentário numa comunidade, quando é aceite por um grupo considerável de cidadãos, é devastador. Um artigo recente na Wired (An Epidemic of Fear, Amy Wallace, Outubro de 2009) é uma boa introdução ao que está em causa. O principal facto a reter é que sempre que uma vacina não é tomada, a protecção desaparece, permitindo, entre outras consequências, o regresso massivo de vírus dominados durante décadas. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o retorno da rubéola em algumas regiões americanas.&lt;br /&gt;A reflexão em torno do segundo argumento para tomar a vacina devia ser profunda, mas, especialmente em Portugal, é totalmente ignorada. Um artigo científico publicado em 2002 no "The Journal of Infectious Diseases", que teve como grupo de pesquisa 3292 pessoas que contraíram rubéola na Holanda, é cristalino. A principal conclusão é que é mais BAIXA a probabilidade de uma pessoa não - vacinada contrair o vírus numa comunidade vacinada, do que a possibilidade de o mesmo lhe acontecer quando está vacinada mas circula numa comunidade não vacinada. A evidência parece definitiva no ponto em que não tomar a vacina significa que quem não o faz está a colocar em perigo toda a comunidade com que se relaciona. Assim, o acto de vacinação é também uma acção cívica e comunitária.&lt;br /&gt;Deste modo, no actual contexto português, devemos sublinhar várias perplexidades, das quais destaco apenas algumas. Antes do mais, porque é que as entidades públicas não proporcionam informação mais personalizada e rigorosa aos cidadãos, que lhes sirvam de apoio à decisão. Segundo, como é que médicos e enfermeiros podem recusar a vacina, e tornar essa decisão pública, sem que sejam alvo de um inquérito pessoal por parte das suas tutelas. Terceiro, como é que médicos de família e pediatras, decisivos na influência que possuem junto dos seus pacientes, aconselham a não tomada de vacina, sem que tenham de fundamentar oficial e formalmente a sua opção. Quarto, como é que os indivíduos de vários grupos profissionais, com contacto directo permanente com vários níveis de população, podem tomar sozinhos, em nome da liberdade individual, uma decisão que não os afecta só a eles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-6926318508241867610?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/6926318508241867610/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/12/vacina-nao-e-so-uma-opcao-individual.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/6926318508241867610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/6926318508241867610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/12/vacina-nao-e-so-uma-opcao-individual.html' title='a vacina não é só uma opção individual'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-7659170676783935378</id><published>2009-12-15T04:43:00.000-08:00</published><updated>2009-12-15T04:43:04.677-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quotidiano'/><title type='text'>aventureiros desconhecidos</title><content type='html'>Há homens que partem em silêncio apesar de terem realizado feitos gloriosos. Francisco Frias de Barros, engenheiro geógrafo, faleceu recentemente, e em total silêncio mediático. O mesmo silêncio que o encerrou a ele e aos seus camaradas de ofício, apesar de terem sido a última geração da grande aventura terrestre africana. Na verdade, é um pouco absurdo ver os americanos a reproduzirem em Hollywood os fantásticos feitos de Mason, Dixon, Burton, Stanley e Livingstone, com o apoio sempre discreto da Coroa inglesa, quando por cá um punhado de bravos fez o mesmo e muito mais a partir do século, como testemunha, detalhadamente, "Viagens de exploração terrestre dos portugueses em África", de Maria Manuela Madeira Santos, uma pérola sequestrada nas prateleiras dos alfarrabistas. Foi um pouco atrás da reconstrução desta aventura que há uns anos fui incomodar Frias de Barros, num gabinete silencioso esquecido em Belém. Foram uns dias bem passados, já que facilmente fui contaminado por aquela história. Apesar da sua idade, Frias de Barros tinha uma boa memória, e uma compreensão fácil para a partilha do detalhe que uma boa história exige. E, por outro lado, o gabinete e salas adjacentes guardavam todo o material da aventura, inclusive as notas de campo, o que é uma espécie de tesouro. A epopeia destes homens é na essência simples: andaram nas latitudes desconhecidas de Angola e Moçambique a retirar coordenadas para o império ter um mapa do seu território. Fizeram - no e isso é extraordinário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-7659170676783935378?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/7659170676783935378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/12/aventureiros-desconhecidos.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/7659170676783935378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/7659170676783935378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/12/aventureiros-desconhecidos.html' title='aventureiros desconhecidos'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-1986016492534942989</id><published>2009-12-09T01:12:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T01:12:14.324-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVESTIGAÇÃO'/><title type='text'>ao serviço total da ideia</title><content type='html'>uma nova investigação sobre os anos finais de Trotsky (Stalin´s Nemesis: the exile and murder of Leon Trotsky, de Bertrand M. Patenaude), provoca algumas novas reflexões sobre o poder totalitário da ideia. Trotsky não arruinou só a sua vida a partir do momento em que dentro do Kremlin perdeu para Estaline a batalha pelo poder. Na verdade, o carismático líder comunista iniciou ali uma vida de exílio e de fuga que só terminou com o seu assassinato, no México. Mas o que talvez seja mais impressionante é que a decisão de combater pela ideia e pelo poder na União Soviética destruiu também todos os próximos de Trotsky. Com ele para o exílio seguiram a mulher, a única sobrevivente após a sua morte, o filho mais velho e, mais tarde, um neto. A sua primeira mulher e as duas filhas desse casamento foram perseguidas por Estaline, juntamente com os respectivos maridos e filhos. Todos foram assassinados, com excepção de Zina, a filha mais velha, que se suicidou em Berlim. Os dois filhos do segundo casamento foram assassinados. E dos netos, só um, Seva, sobreviveu. Os amigos políticos mais próximos foram também julgados, exilados e mortos. Para Estaline, apagar Trotsky significou apagar todo o seu sangue e todas as suas conexões. Assim, servir uma ideia para o mundo com a vida tornou - se uma realidade, escolhida ou forçada, para Trotsky e os seus. &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-1986016492534942989?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/1986016492534942989/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/12/ao-servico-total-da-ideia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1986016492534942989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1986016492534942989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/12/ao-servico-total-da-ideia.html' title='ao serviço total da ideia'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-2643796598319815199</id><published>2009-11-29T03:55:00.000-08:00</published><updated>2009-11-29T03:55:38.275-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVESTIGAÇÃO'/><title type='text'>a toupeira contemporânea</title><content type='html'>A toupeira contemporânea usa métodos seculares, mas tem um percurso de conhecimento e habita uma geografia originais. Das suas precursoras, a toupeira contemporânea recuperou o gosto pelos subterrâneos, a faculdade de infiltrar e uma perdição quase obsessiva por ver, escutar e provocar de modo próximo do invisível. Mas tudo o resto no seu mapa genético e na sua carta de objectivos é novo. Três traços distinguem-se acima dos outros: a toupeira está ao serviço do Mal, trabalha sozinha e o seu território é digital, onde os inúmeros pontos das plataformas, os fluxos da redes e os cantos dos chats, sites e serviços lhe permitem uma errância sem fim fora do tempo e do espaço, garantindo-lhe uma caçada interminável. Hoje, a toupeira já não garante a si mesma uma invisibilidade intocável. Tem alguns perseguidores que foram adquirindo conhecimento sobre as suas investidas. Sabe-se que ela gosta de descobrir códigos, de vasculhar lugares privados, de obter lucro e fama. Mas a toupeira, sábia e experiente, segue sempre e penetra quase a vanguarda de todas as novas configurações dos caminhos digitais. Está dissimulada nas redes sociais, com um perfil inofensivo, à procura de amigos cujas partilhas de texto ou de imagem mostram a sua fragilidade a quem seduz com as palavras escolhidas, até as encontrar no mundo real, onde a caçada termina. Ou, habitando esse mundo já estabilizado dos lugares virtuais ou dos jogos online, domina os chats, ou seja os meios de contacto. E depois seduz. Para uma causa, para um acto terrorista, para adquirir valores financeiros. A toupeira contemporânea tem muitas idades e o seu perfil social não tem um padrão, a não ser no ponto em que de vários caminhos chegou a perita do mundo digital. Escondida no nick, na password, no isp e em outras barreiras, a toupeira contemporânea circula e raramente é detectada. Muito menos eliminada.&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-2643796598319815199?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/2643796598319815199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/toupeira-contemporanea.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/2643796598319815199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/2643796598319815199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/toupeira-contemporanea.html' title='a toupeira contemporânea'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-9077719257704318635</id><published>2009-11-14T07:47:00.000-08:00</published><updated>2009-11-14T07:47:07.070-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVESTIGAÇÃO'/><title type='text'>tipologia familiar</title><content type='html'>o bom velho "The Economist" - que continua a ser dos poucos a aguentar o embate com a informação em plataforma virtual - andava já atrás do assunto há uns meses. Na edição de 31 de Outubro último aproveitou para fazer um "briefing" sólido sobre o tema. Segundo os dados reunidos a um nível global, pela primeira vez na história metade da humanidade terá apenas uma taxa de fertilidade de 2.1 ou menos, ou seja aquele número mágico que permite a reprodução das famílias mas não satura o planeta, que, juram os especialistas, precisa de espaço como nunca. Esta originalidade reprodutiva histórica confirma alguns dados, em relação ao mundo desenvolvido, e é fruto de realidades novas, em relação ao mundo em desenvolvimento. Quanto ao primeiro, vem, mais uma vez, confirmar a tese de que quanto mais ricas e desenvolvidas as sociedades, isto é quanto mais a sua estrutura humana é constituída pela classe média, mais a tendência é para os agregados terem apenas um ou dois filhos. Quanto ao segundo, é sem dúvida uma mudança de paradigma. O alcance real muito recente do estatuto de classe média, por um número significativo de pessoas, da Ásia a África, faz que com que a taxa de fertilidade esteja a diminuir violentamente, caminhando, dizem os dados, para que nos próximos anos se chegue à referida taxa de 2.1. Os padrões causais maioritários estão mais ou menos identificados. Quanto mais enriquece uma população, isto é quanto mais se aburguesa, menos filhos gera. As razões para que tal esteja a acontecer, e aconteça há muito no mundo desenvolvido, são fascinantes, e merecem estudos mais aprofundados. De um modo muito primário, os dados indicam que há uma extinção da necessidade de segurança gerada por muitos filhos, dado que o poder económico e de conhecimento garante essa mesma segurança, num nível vasto de campos, do laboral ao habitacional.&amp;nbsp; Por outro lado, as consequências são também, garantem mais uma vez os peritos, quase todas positivas. No mundo em desenvolvimento, é a primeira vez em muitos anos que as sociedades estão equilibradas - isto é a taxa de nascimentos e de idosos é inferior à da população activa - o que cria condições ideais para o desenvolvimento. No mundo desenvolvido, a taxa 2.1. mostra que os novos papéis sociais e produtivos das mulheres continuam a firmar - se no mundo social, caminhando para se constituírem como um paradigma definitivo, e que o abandono do mundo rural é praticamente definitivo. Na verdade, "The Economist", normalmente pouco dado a classificações mediáticas, chama - lhe "uma das mais dramáticas mudanças sociais da História" e parece ser esse o caso.&amp;nbsp; Era tempo, realmente. Menos filhos significa, por exemplo, mais recursos financeiros familiares para um investimento em melhor educação, maior qualidade de vida generalizada, maior exigência e responsabilidade profissional, devido à diminuição da mão de obra disponível, maior capacidade de aquisição de bens secundários. E, claro, não esquecendo uma verdadeira hipótese sólida de o que é ser mulher passar a ser para sempre outra coisa do que foi até aqui. No entanto, a um nível emocional, há qualquer coisa de verdadeiramente triste nesta tipologia familiar padronizada de 2.1. O padrão faz, ou fará, com que na realidade só uma ou, na melhor das hipóteses, duas vezes se viva esse milagre feliz que é acompanhar de perto e em detalhe, com os milhares de experiências que implica, o nascimento e crescimento de um jovem selvagem. Implica igualmente um estado de vigilância alto e definitivo, porque perder um é perder tudo. Finalmente, implica a previsibilidade científica incómoda de que os nossos 2.1 ficarão pelos seus 2.1. Parece definitivamente eliminada a possibilidade daquele caos alegre que só uma casa cheia provoca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-9077719257704318635?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/9077719257704318635/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/tipologia-familiar.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/9077719257704318635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/9077719257704318635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/tipologia-familiar.html' title='tipologia familiar'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-4114995121546370951</id><published>2009-11-11T04:12:00.000-08:00</published><updated>2009-11-11T04:12:04.781-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quotidiano'/><title type='text'>o afastamento do relvado</title><content type='html'>São indispensáveis muitos momentos marcantes no tempo para reconhecer o afastamento, especialmente quando são paixões que, entre outras marcas, construíram a nossa identidade. A actual quase dispensabilidade do futebol é uma operação sentimental que me surpreendeu, e de difícil reconhecimento. Na verdade, estamos a escrever sobre a destruição, ou a sua arrumação no passado, de um património intimo. Temos, sempre primeiro do que tudo, as inúmeras manhãs, tardes e noites gloriosas em campos desconhecidos - de escolas, bairros, ruas, clubes e sociedades - onde consegui imitar o Sepp Maier e o Thomas N´´Kono, brilhar no céu estrelado e colher os louros de quem via. Há momentos, jogos e episódios que ainda hoje recordo ao pormenor, gravados pelas minha camera pessoal. Parte desta felicidade, aliás, está ficcionada no conto "Protecção ao Ponta de Lança", incluído em "Cerco a um Duro". Nesses tempos, era tão importante jogar como ver e ler futebol. Havia magia nas páginas da "Bola" e do "Record", consumidas ao parágrafo, lentamente, e nos relatos radiofónicos de quarta - feira à noite, ouvidos debaixo da cama, entre lágrimas pelas derrotas europeias do Benfica nos anos 80. E, obviamente, foi este o tempo da chegada da imagem. Primeiro, de repente, um Roma - Benfica de quarta - feira à tarde, transmitido pela RTP. E uma final da taça de Inglaterra entre o Totenham e o Manchester City, com Ardilles e Villa a brilharem. E depois ainda a magia imortal do Espanha 82, com as defesas impossíveis de N´Kono, e a arte suprema do futebol por um sexteto impossível de repetir: Júnior -Cerezo-Falcão-Zico- Sócrates - Éder. E finalmente, o desespero do Europeu de 84, onde só faltou ambição às quinas. É um património iluminante que deveria ter ficado para sempre. Tentando racionalizar emoções, é possível escrever que o afastamento começa nos anos 90. Primeiro, com a destruição do Benfica, que perdura, tão eficaz que o clube nunca mais teve uma equipa, isto é um grupo de jogadores com alma para dar tudo. Depois, sem querer ser idealista, com a fixação definitiva da competição como um gigantesco negócio global, alimentado pelas televisões. Claro que, no meio destes tempos, houve momentos de recuperação da felicidade. Algumas finais dos Campeões Europeus, a campanha nacional em 2000. E, acima de tudo, a histórica campanha do FCP em 2004. Aliás, histórica porque deve ficar na história de portugal e do futebol. O que transformou um grupo de jogadores de qualidade, mas sem nenhuma super estrela, em campeões foi, sem dúvida, um treinador genial, mas principalmente a aplicação da qualidade decisiva dentro do campo: a garra, a alma, o trabalhar para a glória. Acho que nunca sofri tanto como nos dois Porto - Coruna, já que o resultado da final "estava escrito nas estrelas". Curiosamente, foi também em 2004 que o afastamento foi confirmado. Na verdade, era impossível perder a final do Europeu. Com uma campanha imaculada, uma Nação levantada, os adversários de joelhos, mostrou - se naquele jogo que o portugal estrutural é difícil de matar. Se o FCP foi a prova de que uma cultura nacional pode ser eliminada, a selecção foi a prova de que uma cultura nacional é muito resistente. O medo, o medo, o medo, e a resignação à incapacidade de dar tudo no momento decisivo. É ridículo, mas no intervalo desse jogo triste, só me lembrava que o Al Pacino devia ter sido chamado ao balneário das quinas.&lt;br /&gt;E ali, para mim, confirmou - se o afastamento do relvado. Claro que não é uma decisão absoluta. Há sempre uma enorme alegria em ver os olhos de Essien quando as coisas correm mal ao Chelsea, ou os bailados do meio campo do Barcelona. Mas o futebol é hoje um jogo determinado pelo dinheiro, saturado pelas imagens, e onde contributo nacional é de segunda linha, por mais emoções plásticas que as televisões inventem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-4114995121546370951?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/4114995121546370951/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/o-afastamento-do-relvado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/4114995121546370951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/4114995121546370951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/o-afastamento-do-relvado.html' title='o afastamento do relvado'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-4906700726216795525</id><published>2009-11-10T01:59:00.000-08:00</published><updated>2009-11-10T01:59:35.915-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quotidiano'/><title type='text'>os livros chegaram</title><content type='html'>Ocorreram episódios pessoais de livros que hoje parecem ridículos. Como chegar primeiro que os funcionários à "Foyle´s", em Londres, e ficar ainda quinze minutos ao frio e à chuva. Mas o horário do avião não permitia outra hipótese.&amp;nbsp; A "Foyle´s", aliás, foi, desde a sua descoberta, um templo provocador de problemas. Pisos e mais pisos de livros, todos eles sobre temas que interessavam. Descobrir, é este a palavra certa, autores, temas e edições. Como fazer a selecção? Trazer só livros de trabalho, ou só de ficção, ou só de viagem, ou tentar o impossível "mix"? Não é fácil, nada fácil na verdade, circular de metro entre Charing Cross e o aeroporto com demasiados quilos de papel na mão. De igual modo, é preciso não esquecer o primeiro contacto com a "Border´s", em Chicago, bem no fundo da "Magnificent Mille". Aquele conceito de meter os livros debaixo do braço, sentar numa mesa, pedir um café e um "brownie" e ficar por ali umas horas tinha, na altura, a classificação de magia. A fidelidade à "Border´s" provocou alguns erros, é preciso reconhecer. O sacrifício da "Foyle´s" em favor da "Border´s" londrina, em Oxford Street, foi sempre uma má opção. Caótica, suja, com opções "mainstream", não devia ter sido preferida. Mas estes foram apenas assaltos de "search and leave", existiram operações mais delicadas e demoradas. Porventura a mais complexa, e absurda, foi a derradeira em Chicago, no penúltimo dia de seis meses de bolsa na universidade. Um objectivo impossível: trazer todo o conhecimento básico de uma só vez. Regras de empenhamento: entrar na livraria da universidade e só sair de lá com a missão cumprida. Relatório final: perto de 30 livros, enviados pela UPS para Lisboa, e o dispêndio de 40 contos, em 1997. Parecem actos dementes, sem dúvida, mas havia argumentos para serem praticados. As nossas gloriosas livrarias, hoje cantadas como templos carinhosos do saber arruinados pela FNAC, levavam três meses para entregar o livro, e aumentavam três a cinco vezes o preço. E um dia chegou esse milagre chamado Amazon, a que se seguiu, recentemente o Book Depository. Não é imediato encontrar palavras para contar a habitação desse milagre. A busca era, e continua a ser, o melhor dos passos. Percorrer os campos, descobrir autores, identificar títulos, juntar oos objectos do desejo num cesto que é o nosso. Depois, a angústia da escolha. Eliminar, em nome da realidade financeira. E, terceiro passo, voltar ao mundo real português. A passagem a perito da distribuição postal nacional, especialmente desde que o último elo da cadeia, o carteiro, passou a recibo verde. Conhecer o circuito todo. Encomendar ao domingo para chegar à quarta-feira, evitar épocas festivas. Controlar o carteiro manhoso que não traz encomendas porque são pesadas, e o seu colega que mete o postal de aviso na caixa do correio, no lugar de tocar à campainha, porque ganha tempo. Ser amigo do boss do CDP ( Centro de Distribuição Postal) da área, para conseguir entrega imediata e segura. E, deste modo, matar a geografia, e o mercado nacional fechado. Os livros chegaram. O tremendo prazer de terem saído de um armazém no outro lado do mundo e estarem aqui agora nas minhas mãos. O primeiro contacto, o melhor. A capa, a contracapa, os agradecimentos, o índice, a bibliografia. A tomada de lugar na pilha. Não há muitos momentos como aquele em que os livros chegaram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-4906700726216795525?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/4906700726216795525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/os-livros-chegaram.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/4906700726216795525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/4906700726216795525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/os-livros-chegaram.html' title='os livros chegaram'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-695325149892060125</id><published>2009-11-05T01:19:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T01:19:43.141-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>o guerrilheiro intraduzível e a Igbo cosmopolita</title><content type='html'>o texto mais recente de José Luandino Vieira, "O Livro dos Guerrilheiros" (Caminho), assenta mais uma vez no seu território de escolha, a luta de guerrilha dos angolanos contra o Estado português, entre 1961 e 1974, mas tem uma ambição particular. Luandino leva para um pouco mais longe do que nos seus livros anteriores o esforço de encontrar um lugar específico na língua portuguesa para o imaginário angolano e para os modos como este pode ser aplicado num texto em português. O imaginário do guerrilheiro, do angolano, a sua forma intima de pensar, e a aplicação destes em linguagem, desafiam Luandino a uma reinvenção do português, não só na escolha das palavras, onde os termos em quimbundo namoram com os termos em português, mas especialmente na construção da narrativa, isto é do modo como frases, trechos, descrições e narrações são fixadas no papel. Há todo um outro português que constrói a história, que corresponde exactamente ao modo como o angolano molda o português à sua cultura. No entanto, perceber a riqueza deste trabalho narrativo de Luandino só é possível para quem conheça bem os angolanos. Chimamanda Ngozi Adichie tem uma estratégia completamente distinta. Nigeriana, pertencente à etnia Igbo, também ela tem vindo a desenterrar, ou a não deixar enterrar, pedaços importantes da história recente do seu país. Em "&lt;a href="http://www.halfofayellowsun.com/"&gt;Half of a Yellow Sun",&lt;/a&gt;Chimamanda conta a guerra do Biafra, a partir das experiências pessoais de alguns dos seus familiares. Ao contrário de Luandino, Chimamanda só tem ambições ao nível da espessura da sua história, desvalorizando o modo de a escrever. Emigrada nos EUA, onde estudou e agora ensina escrita criativa, Chimamanda escreve em inglês, e o seu estilo narrativo cumpre os padrões literários clássicos ocidentais.&amp;nbsp; Assim, temos em confronto dois modos de trazer a memória para o presente e de a partilhar através da literatura. O texto de Luandino é uma obra de ourivesaria literária de nível superior, mas é praticamente intraduzível e de leitura difícil para estranhos à realidade angolana. A memória da luta de libertação continuará a ser um pedaço de vida conhecido de uma minoria em extinção. O texto de Chimamanda não luta com as regras estabelecidas da forma e da linguagem, mas foi um êxito mundial. A guerra do Biafra pertence hoje à história mais conhecida do mundo.&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-695325149892060125?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/695325149892060125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/o-guerrilheiro-intraduzivel-e-igbo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/695325149892060125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/695325149892060125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/o-guerrilheiro-intraduzivel-e-igbo.html' title='o guerrilheiro intraduzível e a Igbo cosmopolita'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-5821183497774030281</id><published>2009-11-01T08:18:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T08:18:18.488-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='segurança'/><title type='text'>identificando o outro</title><content type='html'>A presença do terrorismo jihadista na Europa provoca um desafio extremo à nossa capacidade de identificar o outro. É um teste que está já para além da nossa resistência a aceitar e a comunicar com a minoria, como tão bem teoriza Appadurai no seu &lt;a href="http://www.cjsonline.ca/reviews/geoganger.html"&gt;livro&lt;/a&gt; mais recente. O problema na identificação do outro - muçulmano, árabe ou asiático, com referências éticas, culturais e sociais distantes - começa logo na aproximação. Este outro é um ser de códigos e territórios distantes ou desconhecidos. Fala outra língua, todos os seus actos estão submetidos a uma cultura estranha, percorre circuitos que nos são invisíveis, que não conseguimos experimentar, ou onde não nos deixam entrar. Na verdade, comemos "indiano" mas nunca vamos à cozinha, entramos nas lojas do eixo Martim Moniz - Castelo, mas não vamos beber chá aos quartos das pensões adjacentes, e muito menos temos acesso às mesquitas oficiais e clandestinas. Por outras palavras, a menos que participemos num acontecimento fora do normal, não temos lá muitos pontos de contacto. A partir desta aproximação deficiente, a nossa identificação - que fazemos a partir dos nossos códigos e das nossas leituras da realidade - tem todas as propriedades para ser incorrecta. O outro, muçulmano árabe ou asiático não residente na Europa, move -se em círculos clandestinos, e aprendeu a proteger - se. Quase certamente, está sempre à beira da ilegalidade, não tem residência autorizada nem contrato de trabalho, e comete mesmo crimes, como a burla com cartões de crédito ou o "casamento branco" com uma cidadã comunitária.Os padrões que outros com mais experiência estabeleceram mostram - nos que o outro, quando cumpre os requisitos acima mencionados, ou é um criminoso em circulação global na União Europeia, ou membro de uma célula terrorista que pacientemente vai entrelaçando os fios necessários a uma operação. Mas, na verdade, o outro, agente de ilegalidades e crimes, pode ser apenas um de nós. Um ser solitário em terras estranhas obrigado a executar actos que condena porque está à procura de uma vida decente para si e para os seus. Neste contexto que hoje vivemos, identificar o outro distante, o muçulmano emigrante, é uma tarefa fascinante para o investigador académico, mas sensível e grave para o investigador de segurança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-5821183497774030281?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/5821183497774030281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/identificando-o-outro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/5821183497774030281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/5821183497774030281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/11/identificando-o-outro.html' title='identificando o outro'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-2081674448219231669</id><published>2009-10-28T07:33:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T07:33:04.793-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='segurança'/><title type='text'>a eficácia do galo e do caldeirão</title><content type='html'>uma das grandes curiosidades da comunidade de estudiosos do terrorismo jihadista é a de tentar descobrir as causas da eficácia do galo, isto é como é que o Estado francês consegue controlar os seus jihadistas, ao ponto de não ter ainda ocorrido um atentado em França, e das várias operações executadas terem sido anuladas. Na verdade, com 5 milhões de cidadãos muçulmanos, 8 por cento da população, maioritariamente de origem argelina e marroquina, entre os quais se encontram células e organizações jihadistas, com maior ou menor ligação à Al qaeda central, e aos jihadistas nos países de origem, parece forte a possibilidade de o território francês ser vulnerável a atentados. No entanto, até ao momento, não é isso que tem acontecido. Vários estudos, especialmente de&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Olivier_Roy"&gt; Olivier Roy&lt;/a&gt;, mostram algumas causas da eficácia do galo. Antes do mais, ao contrário do sistema de multiculturalismo adoptado pelo Estado britânico, os franceses tentam que todos os seus cidadãos partilhem dos valores seculares da república e se sintam franceses. Depois, a esses mesmos cidadãos franceses de etnia não europeia, uma vez integrados nos valores democráticos, republicanos e patrióticos, é dada a oportunidade de servirem o Estado, nos vários serviços de segurança. O escudo do galo tem duas camadas: da sociedade francesa fazem também parte os muçulmanos de origem étnica árabe, o conhecimento das comunidades étnicas, porque obtido por cidadãos que a elas pertencem, é elevado. Uma mesma experiência, em menor escala, foi concretizada com êxito em Nova Iorque, como relata Dickey numa &lt;a href="http://www.amazon.com/Securing-City-Americas-Counterterror-Force/dp/1416552405"&gt;investigação recente&lt;/a&gt;. A polícia de Nova Iorque sabe que nunca teria êxito contra as comunidades jihadistas locais se não as penetrasse com elementos muçulmanos. Lançou um concurso interno para o recrutamento de muçulmanos com domínio de línguas árabes, ao qual responderam centenas de agentes. A CIA e o FBI tinham tentado o mesmo, com fraca adesão. A razão é simples: a polícia de Nova Iorque é um espelho do caldeirão étnico da sua cidade, a CIA e o FBI representam o elitismo wasp.A eficácia do galo e do caldeirão deviam fazer reflectir o Estado português, do ministério da Educação ao da Administração Interna. O esforço de integração na sociedade, das escolas à entrada na função pública, das várias etnias tradicionais e recentes fixadas em Portugal é quase inexistente. E num dos sectores onde a presença e o saber de elementos integrados das minorias étnicas é fundamental, o da segurança, o estado português, mais por inércia do que por preconceito, é mais elitista do que a CIA e o FBI. O seu escudo, ao contrário do francês, não é de titânio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-2081674448219231669?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/2081674448219231669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/eficacia-do-galo-e-do-caldeirao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/2081674448219231669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/2081674448219231669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/eficacia-do-galo-e-do-caldeirao.html' title='a eficácia do galo e do caldeirão'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-3311854684453533694</id><published>2009-10-27T09:29:00.000-07:00</published><updated>2009-10-27T09:29:32.103-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='segurança'/><title type='text'>o MI 5 dita o caminho</title><content type='html'>Está já nas bancas globais e virtuais a &lt;a href="http://www.amazon.co.uk/Defence-Realm-Authorized-History-MI5/dp/0713998857"&gt;história&lt;/a&gt; dos 100 anos do MI5, o serviço de informações internas do Reino Unido. O projecto foi executado nos últimos anos pelo historiador de Cambridge Christopher Andrew (que entrevistei em 1995, sem grandes emoções para relatar, a não ser ter de correr atrás da sua bicicleta, de gravador no ar, para as perguntas finais), com a total colaboração do MI 5, isto é a abertura total dos arquivos, com a excepção da reserva de fontes ainda fundamentais ou de operações não concluídas. Andrew, que trabalhou de modo totalmente independente, cobre toda a actividade do MI 5 até aos nossos dias, incluindo os temas mais sensíveis: toupeiras soviéticas nos serviços britânicos, o conflito na Irlanda do Norte, o contra - terrorismo contra a acção jihadista. O projecto, que assinala os 100 anos do MI 5, partiu do próprio director do serviço em 2000, Stephen Lander. O MI 5 é o primeiro serviço de "intelligence" ocidental a abrir os seus arquivos da actividade contemporânea, e invoca duas razões principais para o fazer. A primeira é a de corresponder, na medida do possível, ao princípio da transparência democrática. A segunda é a de a partir dessa transparência ganhar o apoio dos cidadãos, sem o qual, confessam os responsáveis do serviço, não será possível ter uma acção eficaz contra o terrorismo e o crime organizado. A operação transparência lançada pelo MI 5 deveria fazer pensar um pouco os responsáveis pelo edifício de segurança português, esse alvo da desconfiança, desprezo e ódio dos cidadãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-3311854684453533694?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/3311854684453533694/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/o-mi-5-dita-o-caminho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3311854684453533694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3311854684453533694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/o-mi-5-dita-o-caminho.html' title='o MI 5 dita o caminho'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-5728949029465938653</id><published>2009-10-25T08:56:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T13:50:56.725-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quotidiano'/><title type='text'>a memória não guarda todos</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A memória não guarda todos. Quando os guardadores dos passados que em algum momento foram comuns se reúnem, e cruzam as memórias do que partilharam, há sempre alguns que não são trazidos das sombras. Ficam abandonados nesse passado, como se não tivessem existido no presente invocado tão distante. O que poderá ter acontecido para que assim seja é um mistério. Na maior parte dos casos, é um mistério sem nada de grave. Os desaparecidos para sempre foram apenas aqueles que nunca saíram do seu quotidiano silencioso e retirado, ou talvez com vidas demasiado ricas que lhes tornavam desnecessárias novas pertenças. Mas, sendo com toda a probabilidade essas as explicações, há, ao mesmo tempo, qualquer coisa de muito triste neste desaparecimento à partida que se prolonga sem alterações no futuro. Não ter sido conhecido, não ter marcado alguma coisa em alguém e ter sido marcado por outro alguém, não ter construído um ponto comum de passado, pode poder ser uma solidão pesada. Mesmo que nada de errado determine hoje o percurso dos desaparecidos, eles nunca terem existido nos outros é uma escuridão que não se suporta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-5728949029465938653?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://operacaosniper.blogspot.com' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/5728949029465938653/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/memoria-nao-guarda-todos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/5728949029465938653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/5728949029465938653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/memoria-nao-guarda-todos.html' title='a memória não guarda todos'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-1540886843578252560</id><published>2009-10-24T07:28:00.000-07:00</published><updated>2009-10-24T07:28:27.438-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>a leitura cirúrgica de J.G.Ballard</title><content type='html'>J.G. Ballard tem tudo para ser considerado um ficcionista menor. Os seus enredos narrativos são fragmentados, limitados e pouco coerentes, e as suas personagens são construídas a traço grosso, ficando por idealizações sem profundidade. Mas, pessoalmente, Ballard é dos autores que mais me acompanha e que, continuamente, sem razão aparente, me encaminha para questões e ideias para as quais não encontro destino. Levei algum tempo para conseguir entender este paradoxo pessoal. Numa ordem ascendente arbitrária, eis algumas causas não definitivas do problema. Ballard, como um número importante de ficcionistas ambiciosos, é um teórico deslocado. Tem aquela capacidade dominada por poucos de conseguir dobrar a linguagem ao serviço da teoria, isto é de numa frase de duas ou três linhas partilhar conceitos que iluminam de modo total actos ou pensamentos que temos mas não conseguimos racionalizar, e muito menos comunicar. Inúmeras vezes, por respeito à nobreza do objecto livro,me senti menos culpado por as minhas edições de Ballard serem "paperbacks" e a dobragem, por vezes múltipla, dos cantos das folhas, com o objectivo de no futuro manter a memória do lido, não ser, teoricamente, considerado um crime maior. A passagem, e recolha dos traços fundamentais, pelos recantos mais sombrios da mente humana, aqueles totalmente afastados do mal "mainstream" em que todos somos peritos, como os "serial - killers" ou os violadores, é outra importante marca ballardiana. Como &lt;span style="color: #b45f06;"&gt;"Crash"&lt;/span&gt; e &lt;span style="color: #b45f06;"&gt;"The Atrocity Exhibition"&lt;/span&gt;, para invocar dois títulos, mostram, o ficcionista, que só por resignação à burocracia do mercado aceitava o ser incluído no género ficção científica, é dos poucos certificados a percorrer territórios que a nossa imaginação comum e moldada na mediania não consegue sequer conceber, e que são domínio inacessível de uns poucos que raramente circulam na&amp;nbsp; visibilidade pública. A leitura cirúrgica da realidade contemporânea, feita de modo incansável ao longo de décadas e sempre sem falhas, completa a fixação de Ballard no lugar dos fundamentais. Ballard realiza o processo com o recurso a duas operações, que se entrelaçam, a da extracção contextualizada dos traços decisivos, e a da sua passagem a um texto ficcional. Na primeira operação, Ballard consegue isolar os componentes estruturais de pedaços da sociedade contemporânea, que a maioria de nós comuns conhece e desconfia da importância, mas sobre os quais consegue obter informação apenas vaga, e conhecimento deficiente. É o texto de Ballard a fonte privilegiada que nos consegue fazer aceder aos mecanismos internos do império cultural global da televisão por cabo, do centro comercial e das claques de futebol (&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;"Kingdom Come"&lt;/span&gt;), à cultura empresarial e aos seus espaços soberanos que a democracia não controla (&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;"Super Cannes&lt;/span&gt;"), e ao mal indefinido e insignificante da classe média urbana ocidental cuja revolta é o espelho da sua mesquinhez ( &lt;span style="color: #b45f06;"&gt;"Millenium People"&lt;/span&gt;). Na segunda operação, o texto ficcional de Ballard, por sua vez, consegue transformar aquilo que nas páginas ou nos pensamentos produzidos por nós comuns são apenas observações empíricas, dados científicos frágeis e hipóteses teóricas em construção numa história cujo poder é o de nos dar conhecimento límpido sobre realidades contemporâneas complexas que nos moldam e determinam. Ter o texto Ballard é, assim, ter por perto um manual superior de ficção, mas também, para quem se envolve em trabalhos de ficção, a recordação contínua de um desafio crítico. O de conseguir aplicar o &lt;span style="color: #cc0000;"&gt;modelo Ballardiano&lt;/span&gt; a realidades específicas portuguesas.&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-1540886843578252560?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/1540886843578252560/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/leitura-cirurgica-de-jgballard.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1540886843578252560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1540886843578252560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/leitura-cirurgica-de-jgballard.html' title='a leitura cirúrgica de J.G.Ballard'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-6299995234853616460</id><published>2009-10-23T04:18:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T04:18:32.050-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quotidiano'/><title type='text'>a carrapateira vai à rede</title><content type='html'>O nó central de um dos últimos paraísos na Europa, o sítio da Carrapateira, na Costa Vicentina, tem já na rede um site comunitário, que estará totalmente operacional em Janeiro do próximo ano. O site, e outros esforços de transformar os habitantes do local numa comunidade, partiu de uma ideia de um casal flamengo, Koen e Hilde, há muito residente na Carrapateira, e de alguns pares seus com vontade de concretizar projectos. A Carrapateira tem tudo para ser uma comunidade exemplar e um projecto social e económico de elevado sucesso. A população é reduzida, o que facilita a eficácia do debate e da decisão, o local é maravilhoso, as possibilidades de acção micro - empresarial são múltiplas, todas elas ecológicas, ligadas ao mar e à terra. No entanto, até agora pouco aconteceu. Na década que levo já de anualmente demandar à Carrapateira, um dos exercícios que realizo sempre é o de me sentar de madrugada no café da praça, e tentar imaginar a Carrapateira ideal, um pouco como o bom do Tyler faz semanalmente no "Financial Times" em várias paragens do mundo, com mais talento do que eu. A primeira coisa que eu fazia era criar uma marca para o local. O logo "Karra", juntamente com um lagarto vermelho, uma criação de um jovem franco - português talentoso natural da Carrapateira, seria o meu escolhido. E obviamente a "Karra" estaria em todo o lado do sítio, especialmente nas lojas e nos acessos rodoviários. Depois, pegando em um dos vários "chefs" que hoje felizmente dão consultadoria, criaria "menus" comuns ou complementares entre os vários estabelecimentos de restauração do local, para que a oferta cobrisse pequeno - almoço, brunch, almoço, cocktail hour, jantar e "after - hours". Aliás, a partir desta base criaria um serviço de pequenos - almoços ao domicílio e "beach lunch" que tanta alegria daria aos veraneantes. A opção dos menus comunitários tem, acima de tudo, para mim, objectivos empresariais. Antes do mais, permitiria aos empresários da restauração uma logística integrada, com as inerentes poupanças. Depois, iria garantir a difusão da marca, nos cestos e outros objectos usados na distribuição dos pequenos - almoços e beach lunch. Mas, finalmente, permitiria também a ocupação de alguns idosos, na concepção e fabrico de objectos locais, como cestos, para a distribuição da papinha. Bem oleado este sistema, avançaria depois para serviços e sinergias. Logo de partida, um serviço de "baby - sitting" flexível, que daria trabalho a adolescentes e adultos desempregados. Depois, um transporte de grupo regular para as praias, que eliminaria o problema ecológico das viaturas privadas nas dunas e na areia. Já nas sinergias, parece - me por demais óbvio como todos poderiam ganhar: os alugueres de casa no local garantiriam "vouchers" nas escolas de surf locais e "happy hour" nos bares, e vice - versa, isto é, por exemplo, um curso de "surf" daria desconto no aluguer. Mas o que realmente me entusiasma é que a Carrapateira tem um potencial enorme para escapar à monotonia da oferta radical e ecológica. Os pescadores reformados poderiam fazer passeios nos seus botes e explicar as suas artes, os agricultores poderiam organizar visitas às suas produções e vender directamente os produtos. Numa síntese imperfeita, o que eu vejo é um projecto de grande beleza e sustentabilidade. Há só um pequeno problema: E como é que se gere isso tudo? Exacto, esta é a minha maior ambição. Na minha imaginação, a Carrapateira seria gerida por um conselho democrático de habitantes, que, exactamente, soubesse lidar com o conflito e fosse capaz de o resolver, e que substituísse a habitual inércia e cinismo do poder autárquico. Claro que para isto o conselho e os habitantes teriam que perceber a natureza de uma comunidade. Claro que sim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-6299995234853616460?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/6299995234853616460/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/carrapateira-vai-rede.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/6299995234853616460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/6299995234853616460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/carrapateira-vai-rede.html' title='a carrapateira vai à rede'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-5289578313925311142</id><published>2009-10-22T10:09:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T10:09:12.215-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><title type='text'>uma detenção esquecida</title><content type='html'>o trabalho genial de João Abel Manta voltou à superfície, desta vez devido ao olhar atento dos curadores da exposição Anos 70, nas paredes do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Num canto um pouco periférico, estão alguns dos esquecidos, ou submersos, de Abel Manta, especialmente a série "Detenção". O artista recorre a vários imaginários - dos Private Eyes do "film noir" americano aos homens da Gestapo nazi - para criar uma série de duplas policiais que cerca cidadãos que personificam o medo que a sociedade portuguesa da altura tinha da PIDE, a polícia do Estado ditatorial. Há vários traços com que a série encanta o observador, mas o mais grosso é o desenho das personagens, levantado e finalizado num processo que ignora todas as fronteiras estéticas e conceptuais, principalmente aquela entre a banda desenhada e o cartaz político. Abel Manta consegue dar a exacta dimensão do medo português antes de 74, mas também provocar uma estranha alegria trazida pelo humor. Assim sendo, porque esta é então uma obra rara, parece obrigatório que a mesma esteja visível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-5289578313925311142?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/5289578313925311142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/uma-detencao-esquecida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/5289578313925311142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/5289578313925311142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/uma-detencao-esquecida.html' title='uma detenção esquecida'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-8762959026358310980</id><published>2009-10-21T17:27:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T17:30:05.159-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INVESTIGAÇÃO'/><title type='text'>da visibilidade dos pedaços do terreno</title><content type='html'>Sudhir Venkatesh é um sociólogo americano hoje mais conhecido pela sua participação em "Freaknomics" e pela partilha que fez dos seus métodos de investigação etnográfica ("Gang Leader for a day"), que, aliás, é um excelente manual de reportagem em qualquer lado do mundo. No entanto, é a sua tese de doutoramento ("Off the books: the underground economy of the urban poor") que contém dados extremamente fascinantes. Venkatesh dedicou-se a estudar, durante um trabalho de terreno prolongado no tempo, uma comunidade de um bairro pobre de Chicago - formada por desempregados, padres, toxicodependentes, membros de gang, operários com pequenos negócios, e hustlers (tradução próxima: intrujas) - procurando conhecer e entender os seus modos de sobrevivência. Os dados obtidos no terreno permitem traçar um sistema económico e social baseado em micro empresas clandestinas - do mecânico do vão de escada à avó cozinheira - de actividade continuamente instável, e dependente de relações de confiança das quais frequentemente se ausenta qualquer tipo de garantia.Toda a actividade social e económica desta comunidade é realizada nas ruas. É aqui que o olhar etnográfico de Venkatesh revela toda a sua capacidade. O que ele leva o seu leitor a descobrir são ruas revistas pelo poder do conhecimento. As ruas deixam de ser cópias que costumamos consumir na ficção cinematográfica - com homens à esquina, hustlers encostados às montras e todo o resto do cenário - para passarem a ser pedaços de terreno onde o posicionamento de cada um tem um sentido e um objectivo. E a luta pela posse de um pedaço estratégico de terreno é a maior causa de conflito na comunidade. A desocultação feita por Venkatesh é um exercício de domínio da paisagem geográfica e social que faz inveja a qualquer investigador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-8762959026358310980?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/8762959026358310980/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/da-visibilidade-dos-pedacos-do-terreno.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8762959026358310980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8762959026358310980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/da-visibilidade-dos-pedacos-do-terreno.html' title='da visibilidade dos pedaços do terreno'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-1017989416097013315</id><published>2009-10-20T11:26:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T11:26:28.625-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>algumas indetectáveis dimensões da realidade</title><content type='html'>Ao ficcionista importa também, a par de outros desígnios transcendentes igualmente nobres, conseguir trazer para o seu texto algo que seja importante na contemporaneidade que o cerca. A tarefa tem um grau denso de dificuldade, porque o que realmente pode ser decisivo é muitas vezes indetectável. Na verdade, é sempre possível ficcionar sobre o que é de fácil apreensão - os traços e enredos dominantes - ou, claro, improvisar a partir do olhar próprio. Mas entender as dimensões decisivas da realidade contemporânea poderá ser um pouco mais crítico. A investigação jornalística pode ser um bom ponto de partida, e a investigação académica, quando não ignora o trabalho no terreno, é igualmente uma boa base de aprofundamento. No entanto, fica sempre uma parte do objectivo para cumprir. Conhecer e ganhar a confiança daqueles que possuem a informação, num primeiro momento, pesar esta última após a sua posse, e, deixado o tempo cumprir o seu papel em paz, moldá - la a personagens e a uma narrativa aceitável, é um grande desafio. A partir da realidade portuguesa o desafio é ainda maior, não só porque quase tudo do que importa é indetectável, como essas invisibilidades são extremamente interessantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-1017989416097013315?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/1017989416097013315/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/algumas-indetectaveis-dimensoes-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1017989416097013315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1017989416097013315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/algumas-indetectaveis-dimensoes-da.html' title='algumas indetectáveis dimensões da realidade'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-8138729300153101804</id><published>2009-10-20T02:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T06:34:07.009-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>O olho longínquo de Hertzog</title><content type='html'>O silêncio mediático em torno de "O Olho de Hertzog", de João Paulo Borges Coelho, agora premiado com o Prémio Leya 2009 não tem qualquer defesa. Por uma coincidência fortuita, conheço a narrativa. É um belo exemplar do género histórico clássico: investigação extremamente sólida, não fosse o autor historiador de ofício, trama densamente enredada nos acontecimentos políticos e sociais da época (Moçambique, fim do século 19), linguagem cuidada e pesada ao milímetro, ritmo e acção construídos por método e não pelo mercado. Assim sendo, um acontecimento literário raro. No entanto, após o anúncio da atribuição do prémio, criado com informação obtida na cerimónia organizada pela Leya para o efeito, o silêncio. O facto, que é a realidade até ao momento, leva - nos a pensar em operações, circuitos e estatutos, ou seja na mecânica dominante de construção do mercado literário nacional. Em relação às primeiras, poderemos sempre dizer que a Leya foi um pouco amadora em não ter antecedido a divulgação do prémio de uma distribuição limitada e reservada do texto a um grupo relevante de críticos, como aliás é prática nos mercados profissionais. Mas são os segundos que nos devem, penso, captar mais a reflexão. De facto, a geografia continua a ser um peso pesado, mesmo por aqui. Borges Coelho, que conheci nas páginas do "Jornal de Letras" por volta de 1989, pertence a um circuito geográfico, relacional e afectivo que não se cruza com o da maioria dos profissionais do campo literário nacional, o que leva ao seu afastamento, ou, na melhor das hipóteses, a uma lentidão do encontro. Por outro lado, apesar de o seu suor e obra literária existirem há mais de 20 anos, não tem, por razões que seria curioso conhecer, o estatuto do seu patrício Mia Couto. Deste modo, acredito que há uma boa possibilidade de "O Olho de Hertzog" vir a ser para os portugueses continentais uma leitura remota no tempo e longínqua no espaço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-8138729300153101804?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/8138729300153101804/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/o-olho-longinquo-de-hertzog.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8138729300153101804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/8138729300153101804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/o-olho-longinquo-de-hertzog.html' title='O olho longínquo de Hertzog'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-3654537113645806070</id><published>2009-10-19T05:45:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T06:35:07.164-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='segurança'/><title type='text'>A irrelevância da PSP</title><content type='html'>A tese de doutoramento de Susana Durão, que já existe em livro com o título "Patrulha e Proximidade" é um dos poucos documentos sólidos que temos sobre a Polícia de Segurança Pública (PSP) contemporânea. A investigadora esteve no terreno durante um longo período de tempo, acompanhando a vida de uma esquadra de Lisboa. O trabalho dá-nos uma série fabulosa de dados sobre a ideologia, o imaginário e a praxis dos homens da PSP que nos "serve e protege", mas aqui gostaria apenas de pensar um pouco sobre como os dados empíricos obtidos nos permitem lançar várias pistas que sustentam a hipótese de que existe hoje um enorme fosso entre o que os polícias querem que seja a PSP a que pertencem e aquilo que nós queremos dela. Os polícias querem fazer investigação criminal, aquilo a que chamam "serviço operacional". Nós cidadãos queremos uma polícia que nos proteja, e que seja o agente de autoridade numa sociedade urbana cada vez mais conflituosa. Deste modo, os polícias estão orientados para o que chamam os "bons serviços", ligados à investigação sumária do tráfico de droga e aos furtos, e nós gostaríamos de ter alguém com poder atribuído para resolver o caos rodoviário, e as pequenas violações cívicas e éticas do espaço comum e público. Desta fractura profunda de objectivos, nascem alguns desencontros. Os polícias procuram investigar o que para eles é importante, nós sentimos que eles não respondem ao que nos interessa. Os polícias tendem a acreditar no nós contra eles, e ignoram por exemplo o patrulhamento a pé, a única estratégia de conhecer a comunidade que patrulham e ganhar informação. Nós gostaríamos de conhecer alguém que pudéssemos chamar, e também confiar. Existindo já uma polícia de investigação na arquitectura de segurança nacional, a Polícia Judiciária, e tendo a própria PSP uma divisão com esse objectivo, não será um risco muito grande defender que se a força da PSP no terreno não mudar a sua estratégia, o seu papel será cada vez mais irrelevante para aqueles que deve proteger.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-3654537113645806070?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/3654537113645806070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/irrelevancia-da-psp.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3654537113645806070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/3654537113645806070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/irrelevancia-da-psp.html' title='A irrelevância da PSP'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6794520453239464848.post-1823344067030579897</id><published>2009-10-19T05:05:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T06:35:55.158-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>cosmopolis</title><content type='html'>A partir da sua narrativa fechada, Do Delillo consegue, em Cosmopolis, trazer para a literatura um dos mais interessantes universos contemporâneos, o dos bilionários imateriais, cuja riqueza criada tem origem apenas na especulação com activos financeiros. Packer, o bilionário, desce Manhattan na sua limusina branca, rodeado de segurança, acompanhando em tempo real as flutuações monetárias globais, e tentando encontrar uma razão para continuar vivo. A capacidade de DeLillo é a de desenhar um circuito ficcional que nos leva a compreender o real que interfere no nosso quotidiano contemporâneo. Tal como na obra pictórica de José Batista Marques "Dead End", que é formada exactamente por uma figura que chega de limusina branca a uma barreira que não consegue ultrapassar, Packer nunca poderá chegar a onde quer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6794520453239464848-1823344067030579897?l=josevegar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josevegar.blogspot.com/feeds/1823344067030579897/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/cosmopolis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1823344067030579897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6794520453239464848/posts/default/1823344067030579897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josevegar.blogspot.com/2009/10/cosmopolis.html' title='cosmopolis'/><author><name>josé vegar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11025933859067434065</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_nqPe5lxCRhE/St-g514FFuI/AAAAAAAAACk/HIbQuUPn8ZA/S220/flowerchucker.+banksy.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
